1º DIA: É DADA A LARGADA!

Crise dos 30

E começa hoje, oficialmente, o Desafio dos 222 Dias!

Pra mim, não teria forma melhor de começar do que relembrar o que senti no meu último dia de trabalho. O texto que escrevi assim que cheguei em casa, 7 sextas-feiras atrás, naquele que foi o último dia que eu acordei e sabia exatamente o que eu tinha que fazer…

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Ah, como é difícil mudar antigos hábitos…

Se a gente passa a vida inteira comendo o arroz por cima do feijão, é tão difícil de repente começar a fazer o contrário. A gente na verdade nem pensa nisso como uma possibilidade, nem como um problema que precise de solução. Faz assim todo dia, tá tudo certo, vida que segue.

Trabalho em turismo há 11 anos. Ir pro escritório todos os dias é um hábito. A perspectiva de não mais fazer isso de segunda a sexta (e muitas vezes aos sábados) é empolgante, mas muito, muito amedrontadora (PS: tanto quanto é amedrontador, assumo, o fato de não mais ter vantagens na hora de viajar).

Há cerca de dois anos, ouvi de uma pessoa que me ama muito algo mais ou menos assim: “O problema não é o lugar onde você mora. Você pode se mudar pra qualquer lugar do mundo, mas se você não mudar o que quer que precise ser mudado internamente, vai continuar atraindo as mesmas circunstâncias e recriando a mesma vida que um dia não te servia mais, onde quer que você esteja”.

Naquele minuto eu soube que ele estava certo. Nunca duvidei que estivesse. No momento que ouvi essas palavras eu sabia que era verdade: as peças se encaixaram, tudo fez sentido.

Mas o que, afinal, eu estava fazendo de errado?

Foram muitas reflexões. Chorei. Me estressei. Me desesperei. Doeu muito. Cheguei lá embaixo, precisei de ajuda pra voltar pra superfície. Busquei. Encontrei.

Avança a fita. A data é 01/05/2015.
Hoje foi meu último dia no meu emprego: Gerente Geral de uma Operadora de Turismo Receptivo na Nova Zelândia. Nem nos meus sonhos mais delirantes imaginei um dia que tivesse capacidade pra um cargo desses, nem mesmo cheguei a almejar isso. Emprego esse que me fez crescer em 3 anos o que talvez cresceria em 10. Que me mostrou que sim, eu sou competente. Sim, eu sou resiliente. E sim, eu posso trilhar caminhos que hoje eu ainda nem vejo descortinarem totalmente a minha frente.

Hora de tentar comer o feijão por cima do arroz.

Tudo culpa da Crise dos 30!

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista residente em Auckland, gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito (contanto que a morte não seja o assunto da rodinha) e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.