21° DIA: RELATOS DE UMA INQUIETA – PREFÁCIO

Crise dos 30 - Relatos de uma inquieta

“Formada em Turismo pela Universidade Metodista de São Paulo aos 21 anos, casou-se aos 23, se separou aos 25, se mudou pra Nova Zelândia aos 26, conseguiu um emprego na sua aérea de atuação aos 27, virou gerente 3 meses depois e pediu demissão no auge da carreira. Nesse momento está em sua casa, em Auckland, olhando o quintal do vizinho pela janela e tentando descobrir o que fazer da vida…”

Foi assim que eu resumi minha vida no dia 14 de Junho de 2015, quando comecei a escrever os primeiros textos pro Crise dos 30 e precisava explicar um pouco mais sobre quem eu sou.

Estou lendo esse texto novamente hoje, menos de um mês depois, e sei que ainda não passou tempo suficiente pra que eu quisesse mudar alguma coisa no que eu escrevi. No entanto, sei também que não vai demorar muito pra eu acrescentar mais um capítulo dessa história no final desse pequeno parágrafo…

Eu tenho 30 anos. Se tivesse que definir, hoje, minha vida em uma palavra, essa palavra seria intensidade. Tive uma vida intensa porque eu, nem sempre conscientemente, busquei que ela fosse assim. Foram minhas escolhas (e o fato de estar cercada de tanto amor, por todos os lados) que me levaram a viver todas as experiências que eu vivi até hoje.

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Já ouvi várias pessoas dizerem que eu tenho uma história de vida fantástica / bacana / interessante / incrível e por aí vai uma lista de adjetivos, alguns mais intensos e outros mais brandos, mas fato é que me acostumei de uns tempos pra cá a ver e ouvir as mais variadas expressões quando conto um pouco da minha história pras pessoas.

Preciso te avisar agora, pra você não correr o risco de se decepcionar: minha vida não é nada super hiper mega extraordinária, viu? Nunca escalei o Everest, nunca quase morri em um acidente drástico nem de alguma doença, e também nunca superei os limites da pobreza e me tornei milionária com o suor do meu trabalho.

Eu simplesmente vivi uma vida permeada por escolhas. Eu procuro não deixar que os outros, ou as circunstâncias, escolham por mim.

Foram as escolhas que fiz que me levaram por caminhos onde eu nem sempre gostei de andar e que nem sempre refletiram os meus valores mais profundos; mas todas elas fazem parte da minha trajetória, e foram elas que me permitiram ser quem eu me tornei.

Por muito tempo eu hesitei em contar detalhes dessa história, simplesmente por não ver nada demais, nada que pudesse despertar o interesse das pessoas ou que pudesse acrescentar alguma coisa na vida de alguém. Eu sou apenas uma garota que tem uma enorme dificuldade em se conformar com as circunstâncias e com o mundo ao seu redor. Eu não acho que “a vida é assim mesmo”. Não! A vida é e sempre poderá ser mais.

Recolhida à minha insignificância, vou vivendo e me desafiando. Adoro a excitação de um obstáculo vencido, ou de um sonho bem vivido. Durante minha vida já superei diversos desafios (alguns nos quais me coloquei por livre e espontânea vontade), e com cada um deles aprendi várias lições, mesmo aqueles dos quais eu desisti no meio do caminho, mas a verdade é que nunca achei que essas lições pudessem ser de valia pra mais ninguém, encarava-as apenas como sendo a minha jornada.

Até que um dia li uma frase do Brendon Burchard que ficou martelando na minha cabeça. A tradução livre é mais ou menos a seguinte:

“Nunca se esqueça que na estrada da vida você já andou mais que muitos outros, e as lições que você aprendeu podem ser não apenas valiosas, mas também de grande ajuda para outras pessoas”.

Quando eu comecei a prestar mais atenção, eu passei a perceber um padrão na reação das pessoas todas as vezes que contava mais detalhes da minha história: as pessoas, no geral, ficavam totalmente envolvidas e interessadas no que eu estava contando. Uma vez, numa rodinha de mulheres durante um churrasco na casa de amigos, uma das moças me falou: “Nossa, minha história não é assim tão emocionante como a sua, mas vou contar também!”. Isso me fez parar pra pensar que eu talvez devesse começar a contar mais sobre minha jornada e, com isso, de uns tempos pra cá voltei a dar vazão à uma paixão de infância: escrever.  É isso que estou fazendo aqui no Crise dos 30 e, agora, com o Relatos de uma Inquieta.

Crise dos 30 - Relatos de Uma Inquieta

Minha vida e minhas escolhas não são exemplo pra ninguém. Eu não quero ensinar e nem dizer o que os outros devem fazer. Decidi apenas contar a minha história e, se com isso eu puder inspirar alguém, coloco então um sorriso no rosto, a sacolinha nas costas e considero minha missão cumprida!

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.