22° DIA: O MAIOR OBSTÁCULO NA MINHA MUDANÇA DE VIDA

Crise dos 30 - Obstáculo

Desde que pedi demissão do meu emprego em maio desse ano, muita coisa já aconteceu. São momentos de garra, determinação e muito otimismo, permeados por fases de tristeza, choro e uma intensa falta de energia para finalizar as coisas que me propus a fazer.

Nesses dois meses, pelo menos uma coisa eu já aprendi: quando alguém resolve fazer uma mudança de estilo de vida como essa que escolhi fazer, são as coisas mais simples, as que jamais passariam pela cabeça como sendo potenciais problemas, que se tornam grandes obstáculos em determinados momentos – ainda mais no começo da jornada.

À princípio, o obstáculo mais óbvio e o catalisador de todos os medos é, principalmente, o DINHEIRO, ou a possível falta dele. Com medo de ficar sem DINHEIRO a gente continua amargando o trabalho que não gosta mais há tempos; se forma em algo que nem gosta tanto porque é o que dá DINHEIRO; e às vezes deixa de fazer coisas que dariam muito prazer e alegria, pra não ficar sem DINHEIRO (aqui podemos incluir aquele curso bacana – e caro – de fotografia, aquela aula de teatro por pura diversão ou aquele curso de italiano, língua que você provavelmente não vai precisar falar pra ter mais oportunidades na sua carreira, mas que você sempre quis aprender).

A verdade é que a possibilidade de ficar sem grana assusta, assusta muito, tanto que eu sempre achei que esse seria o maior dos meus problemas durante essa fase de transição de carreira e de vida.

Mas não tem sido.

Crise dos 30 - Brunch

Claro que eu e o Henrique tivemos que mudar drasticamente nosso estilo de vida e hoje em dia não falta dinheiro porque não fazemos mais muitas das coisas que gostávamos de fazer. Sinto muita falta de sair aos finais de semana pra um brunch nos cafés perto da praia, olhando o mar e tomando um solzinho, ainda mais nesses dias super frios de inverno, mas a verdade é que está sendo muito menos sofrido do que achávamos que seria. Quase nada sofrido, na real (tirando o fato de que não saímos mais pro tal brunch… rs).

O que tenho vivido no meu dia-a-dia é algo que jamais imaginei que seria fonte de tantas frustrações: não é a falta de grana, mas sim, a incapacidade em cumprir os acordos que faço comigo mesma.

Crise dos 30    Hã?!?!

Pois é! Quem diria que essa seria a fonte das minhas maiores frustrações e causa das minhas tristezas mais repentinas? Eu jamais imaginaria, mas bastou eu começar a me observar mais atentamente pra perceber:

QUANDO EU NÃO HONRO OS COMPROMISSOS QUE FAÇO COMIGO MESMA, É QUANDO ME SINTO MAIS DESANIMADA E NEGATIVA COM RELAÇÃO AOS MEUS PROJETOS E MEU FUTURO.

Isso tem ficado cada vez mais claro pra mim, principalmente essa semana.

Desde que comecei a fazer o programa de coaching de alta performance eu sabia que um dos meus maiores bloqueios seria com relação à minha saúde e energia. Durante os últimos meses no meu trabalho essa era a minha maior queixa: eu não tinha energia pra absolutamente nada. Vivia constantemente cansada mesmo quando dormia 9h por noite e, pra ajudar, tinha recorrentes episódios de “queda de energia”, como eu costumo dizer, que são dias onde eu durmo de 12h à 14h e não consigo fazer absolutamente mais nada. É como se toda a energia se esvaísse do meu corpo de repente.

Durante o programa de coaching uma das frases que eu mais ouvia era: “Energia a gente não tem, a gente gera!” e isso ficou martelando na minha cabeça. Fazia todo o sentido, eu sabia que era verdade, mas por algum motivo eu não conseguia me mexer, não conseguia tirar do papel os planos de voltar pra academia ou andar todos os dias de bicicleta.

Pra falar a verdade, isso não é assim nenhuma novidade…

Crise dos 30 - TráfegoQuando eu tinha uns 22 anos mais ou menos, fui diagnosticada com hérnia de disco na coluna lombar. Naquela época, o médico disse que eu seria uma séria candidata à cirurgia se eu não começasse a me exercitar e a reforçar a musculatura da coluna imediatamente. Nesses 8 anos que se seguiram eu já fiz algumas tentativas de academia e natação, por exemplo, mas nada que durasse mais que uma estação. Eu só tomava vergonha na cara quando vinham as dores, que me travavam e me obrigavam a tomar remédios. Nesses momentos eu jurava que ia me cuidar, que ia me exercitar, mas era só passar a dor que eu esquecia imediatamente das minhas promessas. E eu colocava a culpa em quem? Na falta de tempo, oras! Em quem mais? Eu morava em São Paulo, passava pelo menos 4h do meu dia presa no trânsito, trabalhava mais de 12h por dia, vivia estressada, não tinha tempo nem pra dormir, quem dirá pra exercícios físicos!

Aí eu me mudei pra Nova Zelândia…

Crise dos 30 - AucklandPassei a levar de 15 à 30 minutos pra chegar no trabalho, e pagar academia seria relativamente barato e caberia no meu bolso. Eu me matriculei? Não, nunca. Eu passei a ter mais tempo, mas continuava muito cansada… Passaram-se muitos meses, mas as dores inevitavelmente vieram. E mais remédios. E com eles uma médica que olhou bem nos meus olhos e disse: “You’re not getting any younger. It’s about time, honey. You need to go to a physio and start to take it serious.” (Você não está ficando mais jovem, querida. Já passou da hora, você precisa ir num fisioterapeuta e começar a levar isso à sério).

E eu fui no fisioterapeuta. Uhuuuu!!! Tinha que fazer 10 sessões iniciais antes de poder acompanhar as aulas de pilates e estava levando a coisa toda super a sério. Mas entre a sétima e a oitava sessão eu saí de férias e fui viajar. Aí, sabe como é, né? Depois das férias, eles nunca mais me viram por lá.

Esses dias eu comecei também a fazer as contas de há quanto tempo eu prometo pra mim mesma que irei na aula da Zumba, num lugar que fica a menos de 10 minutos aqui de casa. Me assustei com a resposta: tem pelo menos 9 meses que falo nisso! Custa $8 por aula, ou seja, poderia pagar mesmo agora que não tenho salário, e mesmo assim eu nunca fui. As desculpas que eu arrumo? As mais bizarras possíveis! Agora que é inverno eu nem preciso mais ser tão criativa… Ontem não fui porque estava um frio de 3°, é desculpa suficiente pra qualquer um entender, né?

Sim, até seria, mas no fundo EU SEI que o problema não é o frio, e se eu sei, não importa o que os outros pensam. A questão é que entre pilates, boxing, jiu jitsu, natação, yoga, Body Combat e Body Pump, já perdi muita energia – perdi muita energia planejando fazer as aulas que nunca fiz. Essa lenga lenga tem aos poucos acabado com minha auto-estima e agora chegou no nível máximo, simplesmente porque eu não tenho mais desculpas. Tudo caiu por terra: AGORA EU TENHO TEMPO, e mesmo assim eu não faço.

Qual é o problema então? Eu sou uma fraca? Se não consigo me exercitar 30 minutos por dia, como é que vou recriar o meu estilo de vida inteiro? Só posso estar maluca! Com certeza estou fadada ao fracasso, porque eu sou uma farsa!

E é à partir dessa conversa que fico o tempo todo tendo comigo mesma que vem a tristeza, o choro, o negativismo, as quedas de energia…

Eu percebi que alguma coisa dentro de mim está resistindo a essa mudança, e eu não fazia ideia do que era. Mas se eu não sei e quero saber, por que não buscar mais informação?  Então eu comecei a estudar, e eu entendi. Quando eu entendi, as coisas começaram a mudar…

Quatro dias atrás dei o primeiro passo. Como disse a médica: “It’s about time, honey”.

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.