29° DIA: VENCENDO UM OBSTÁCULO: COMO CRIAR NOVOS HÁBITOS

Crise dos 30 - Novos hábitos

Hoje é sexta and I’m back, babe!!!

Depois de uma semana inteira estudando feito louca pra me preparar pros primeiros dois dias de total imersão na minha certificação em coaching, decretei que hoje, sexta-feira, seria meu dia de folga. Nada de estudos, nada de obrigações. Minha mente precisava de um descanso então achei justo antecipar meu final de semana em um dia, afinal, agora posso trocar e passar o domingo inteiro trabalhando ou estudando, não faz a menor diferença!

Maaaaaaaasssssss… folga dos estudos não significa folga do Desafio dos 222 Dias e nem folga da minha nova rotina de criação de novos hábitos.

Ah! Ainda não contei direito o que está rolando por aqui, né?

Comecei a contar nesse post sobre quando descobri qual tem sido o meu maior obstáculo nessa fase de mudança de vida, onde larguei meu trabalho e comecei a remodelar tudo, desde alguns dos meus hábitos diários até minha carreira. Faz algumas semanas eu comecei a perceber que o que me deixa realmente frustrada no meu dia-a-dia e acaba com minha energia e motivação é quando eu não cumpro os acordos que faço comigo mesma.

Sabe aquela dieta que você promete pra si mesma toda semana que vai começar, mas nunca começa? Ou aquela aula de pilates que tá todo mundo fazendo e que você promete todos os dias que vai Crise dos 30 - Novos hábitostentar, mas sempre deixa pra amanhã?

Como diz um provérbio espanhol: “Amanhã é geralmente o dia mais atarefado da semana”…

Eu comecei a perceber que eram as minhas desculpas pra continuar adiando algumas das coisas que eu mais tinha vontade de fazer (ou que eu sabia que precisava fazer, por motivos de saúde) que estavam me deixando pra baixo e me fazendo perder a confiança em mim mesma, coisa que não posso deixar que aconteça principalmente nessa nova fase da minha vida. Meu pensamento é um só: “Agora que pedi demissão do meu emprego, não tenho mais desculpas! Esse é o momento perfeito pra eu começar a introduzir novos hábitos no meu dia-a-dia. Se não for agora, vai ser quando?”

Fiquei nessa de ‘vou começar’ academia, yoga e Zumba por um bom tempo, mas até o “não tenho roupa” entrou na lista de desculpas pra eu não sair de casa. Eu comecei a perceber que era como se algo dentro de mim estivesse resistindo a essa mudança, a essa novidade que eu estava tentando trazer pra minha rotina. Eu sentia claramente que esse algo estava se apresentando como maior que minha própria vontade, e eu não estava conseguindo vencer aquilo.

Eu decidi então procurar saber se existia alguma base científica que justificasse o que eu estava sentindo, e descobri que sim, existe! Eu não sou louca, não sou uma fracassada e nem a única que sofre para criar um novo estilo de vida.

Crise dos 30 - Novos hábitos

Existe um motivo pelo qual é tão difícil tanto eliminarmos um mau hábito, quanto adquirirmos um novo hábito

A palestrante Adriana Medeiros explica de uma forma fácil e bastante lúdica o que acontece em nosso cérebro:

“Quando se repete muitas vezes uma mesma ação, cria-se um hábito. Quando fazemos isso, muitos neurônios juntam-se entre si e formam um “cabo” pelo qual a energia será transmitida mais rapidamente. Estes cabos neuronais NÃO se separam nunca. Isto significa que uma vez aprendido um hábito, este permanecerá para sempre conosco. Mas então, como podemos mudar? Simples: criando um “Novo Hábito”.
No início, este “Novo Hábito” será um “cabo” muito fino, mas com tempo e a repetição esse cabo ficará mais forte que o hábito anterior. O fumante que quer abandonar o vício terá que substituir o hábito de fumar por outro mais construtivo, como, por exemplo: mastigar alguma coisa, beber um copo de água, ou fazer ginástica. No início, este novo hábito será muito fraco, especialmente se a pessoa fumou por muitos anos. A energia sempre tende a ir pelo caminho mais fácil e essa pessoa sentirá um forte desejo de voltar a fumar. Somente com a prática contínua e a repetição, a energia seguirá o novo caminho. Para que a formação de um novo hábito seja bem sucedida, são necessárias duas condições: O DESEJO e a REPETIÇÃO. Se não existe o desejo de melhorar é impossível fazê-lo, e sem a repetição do novo desejo não o podemos incorporar.”

O nosso cérebro transforma atividades que fazemos com frequência (como por exemplo, escovar os dentes) em hábito, pois dessa forma não é necessário gastar muita energia todas as vezes que essa tarefa precisar ser executada. Escovamos os dentes sem nenhum esforço, sem nem pensar em cada um dos movimentos que precisamos fazer para que a tarefa seja completada. Ou seja, nosso cérebro está sempre buscando automatizar as atividades que fazemos com mais frequência para que ele não precise ‘se gastar’ muito todas as vezes que repetirmos essas atividades. Nosso cérebro é preguiçoso!!!

Por um lado, é ótimo que isso aconteça, pois hábitos positivos podem ser mantidos por anos a fio sem que tenhamos muito trabalho para mantê-los, mas por outro lado, uma vez que esse “cabo” se fortalece, temos trabalho dobrado para desfazê-lo, o que só acontece quando o substituímos por outro.

Crise dos 30 - Novos hábitos

COMO CRIAR NOVOS HÁBITOS

Existem várias teorias diferentes sobre quanto tempo é necessário para mudar (ou criar) um hábito. Por muito tempo foi aceita a teoria de que bastam 21 dias para que algo novo se transforme em hábito ou para que a gente consiga mudar um hábito. Muito otimista, não é mesmo? Não à toa, mais recentemente essa teoria foi derrubada por outra que diz que depende muito de qual é esse hábito que se pretende incorporar, ou seja, se você quer tornar hábito a ação de tomar um copo d’água ao acordar, pode ser que seja simples e demore apenas 20 dias, mas se o que você quer é criar o hábito de se exercitar todos os dias, isso provavelmente vai levar mais tempo, provavelmente cerca de 3 meses.

Crise dos 30 - Novos hábitosNão é você ou sua incapacidade de fazer as coisas, é seu cérebro resistindo às mudanças!

 

Junto com essa descoberta, eu comecei a estudar também sobre procrastinação (você chegou a ler o texto que escrevi aqui?). Durante meu curso de fundamentos de coaching estávamos estudando sobre qual é a melhor forma de superar a procrastinação. Supresa surpresa: Pensamento positivo e força de vontade não são suficientes!!! Não adianta você ficar falando pra você mesma: “Você é uma mulher forte, a sobremesa não te domina. Você vai conseguir parar de comer doces todos os dias, pois não faz bem pra saúde e você quer emagrecer. Você é uma mulher forte…”. Não vai funcionar!

VOCÊ SABE QUAL A MELHOR ESTRATÉGIA PARA SUPERAR A PROCRASTINAÇÃO?

A melhor estratégia para superar a procrastinação é dar pequenos passos, os chamados “passos de bebê”, que te ajudem a chegar cada vez mais próximo daquele objetivo que você quer alcançar, sem que seu cérebro reconheça imediatamente que você está tentando “substituir os cabos”.

Não sei quanto a você, mas pra mim, juntar as pecinhas desse quebra-cabeça foi fundamental e, de certa forma, libertador! Adquirir esse conhecimento fez toda a diferença, principalmente porque eu parei de me achar uma fracassada e percebi que existia um caminho que eu poderia seguir para chegar mais perto de ter o estilo de vida que eu quero tanto.

Comecei a prestar mais atenção no meu corpo e nos sinais que ele estava me dando. É um exercício de observação constante, de estar sempre monitorando aquela conversinha que rola dentro da nossa cabeça e perceber quando ela é apenas uma mensageira do nosso cérebro preguiçoso.

Um dos meus maiores objetivos dessa fase da minha vida é conseguir criar uma rotina matinal que me energize para encarar o restante do dia. Não quero mais acordar e ir direto checar o Facebook, nem ficar 40 minutos apertando o soneca no celular de tanta preguiça de levantar. Eu quero começar meu dia com o pé direito, cuidando da minha saúde física, mental e emocional.

Crise dos 30 - Novos hábitosFoi então que, no dia 07 de julho de 2015, eu decidi dar um desses passinhos de bebê e comecei a colocar o despertador pras 8 horas da manhã, mesmo encarando a temperatura que semana passada chegou a ser negativa, e comecei a praticar yoga no meio da sala.

Com isso, não preciso me matricular em nenhuma academia, comprar roupas apropriadas, nem o tal tapetinho. Não gasto dinheiro e não digo pro meu cérebro que estou me comprometendo com nada: estou simplesmente na sala de casa, com minhas roupas velhas, ligando o computador e assistindo algumas aulas pelo YouTube. E quer saber? Durante o tempo todo tenho que lidar com aquela vozinha que fica repetindo: “Você pode parar a hora que você quiser, viu? Você não precisa fazer essa aula se não tiver vontade, lembre-se que amanhã você pode dormir até mais tarde” e por aí vai…

A voz é a mesma e o discurso desmotivador não mudou, mas pelo menos agora eu entendo o porquê dela estar se manifestando com tanta intensidade. Ela é apenas uma mensageira do meu cérebro preguiçoso que não quer ter o trabalho de “substituir os cabos”.

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.