33° DIA: UM NOVO AMANHECER

Crise dos 30 - Yoga

7:40 da manhã. Eu debaixo de um lençol, dois edredons e um cobertor. Toca o despertador. Não resisti, tive que apelar pro soneca. 2 vezes.

Deixei meu celular fora de alcance, na sala, pra evitar que eu não resistisse à tentação e entrasse, ainda deitada na cama, no Facebook. Esse é um hábito que odiei adquirir e que agora estou sofrendo para me livrar. Celular antes de dormir e logo que acordo, não! – essa é minha nova regra.

Por volta de 8:10, venci o frio e a preguiça e levantei da cama. Um frio de uns 7°C, mas dentro de casa deveria estar mais frio ainda (pois é, a Nova Zelândia tem esse complexo de país tropical, as casas não são preparadas para o inverno daqui – a gente passa frio mesmo! Ficamos na dependência de aquecedores durante mais da metade do ano).

Os bastidores do "Yoga na sala"
Os bastidores do “Yoga na sala”

Escovei os dentes, troquei de roupa, arrastei o aquecedor pra sala, e liguei o computador. Adriene, minha mais nova amiga, já estava lá no YouTube, esperando por mim. Comecei então meu dia com 30 minutos de yoga: sem tapetinho, sem roupa apropriada e no meio da minha sala. Às vezes ela é gentil comigo e quando terminam esses 30 minutos eu estou feliz e me sentindo super relaxada. No entanto, hoje foi dia de fortalecer os músculos do abdômen. 5 minutos de exercícios depois eu troquei o vídeo e repeti a série de dois dias atrás: exercícios para a coluna, pois esse eu conseguia acompanhar. Fiquei um pouco frustrada, é verdade… Cheguei aos 30 pior fisicamente do que eu jamais imaginei. Mais um pouquinho e estarei que nem meu pai: alguém pra quem colocar as meias nos pés é um exercício de flexibilidade e pontaria (sorry, daddy!).

Terminei os exercícios, coloquei os móveis da sala de volta no lugar e tirei as roupas do varal enquanto oCrise dos 30 - Café da manhã Henrique, como sempre, preparava nosso café da manhã. Sentamos no chão, ao redor da nossa mesinha de centro, ligamos o DVD e nos preparamos para assistir um episódio da sétima temporada de Friends, enquanto saboreávamos uma deliciosa fatia de pão quentinho com abacate, tomate, coentro e feta (um queijo meio parecido com ricota, por falta de definição melhor).

Sim. É isso que eu como no café da manhã e é uma delícia! Experimente e você não vai se arrepender! Prometo!

Até o final do ano passado tínhamos o hábito de tomar café assistindo o jornal da manhã. Era assim que começávamos o dia: acordávamos por volta das 6 da manhã e o Henrique ia fazer nosso café, enquanto isso eu me arrumava pra ir trabalhar. Sentávamos pra tomar café ao som das notícias matinais, geralmente algo sobre o terrorismo do ISIS, ou algum dos raros assassinatos que acontecem aqui na Nova Zelândia (raros, mas não inexistentes) ou às vezes alguma notícia sobre desastres naturais, política e corrupção e ataques de tubarão. Geralmente meu primeiro sorriso do dia acontecia por volta das 11:30 da manhã, quando eu olhava no relógio e via que já estava perto da hora do almoço.

Triste, né?

Esse foi provavelmente o primeiro hábito que eliminamos da nossa nova rotina. Na verdade, desde o final do ano passado não assistimos mais jornal. Decidimos substituí-lo por Friends, o que nos proporciona começar nosso dia sorrindo, rindo e, não raro, gargalhando. Quer coisa melhor?

friends-Crise dos 30

Quando contei pra minha mãe que eu tinha decidido não mais assistir TV, ela achou que eu estava indo longe demais. Não é que eu não assisto mais TV, eu sou fiel a alguns poucos programas que eu gosto muito, leia-se: My Kitchen Rules, NCIS e SVU (seriados de polícia) e, às vezes, algum outro programa, mas nada que eu assista regularmente. Isso significa que eu passo, em média, umas 10 horas por semana em frente à TV, incluindo o tempo necessário pra assistir um episódio de Friends por dia. Nada mais.

Eu não tenho nada contra quem passa 5h por dia assistindo TV e nem quero convencer ninguém a fazer a mesma coisa que eu faço. PRA MIM fez sentido principalmente parar de assistir e ler jornal e usar meu tempo de uma forma que me agrade mais. Da mesma forma que anos atrás comecei a reparar mais nos tipos de alimentos que eu colocava pra dentro do meu corpo e parei de consumir refrigerante, não cozinho fritura, comecei mais recentemente a evitar comer carne no jantar, e coisas do gênero, eu percebi que seria igualmente importante dar mais atenção ao tipo de alimento que eu estava colocando pra dentro da minha mente. Eu não quero começar o dia já vendo desgraça!

Desgraças existem? Sim! Mas eu posso escolher uma forma de me manter informada que faça mais sentido pra mim, sem me tornar uma alienada e nem alguém que finge viver num mundo cor-de-rosa.

(PS: Mais pra frente vou falar melhor sobre esse assunto, pois realmente foi uma simples atitude que mudou muito a forma como eu estava encarando não apenas minha rotina, minha vida e meu futuro, mas também as pessoas, as possibilidades ao meu redor e o mundo como um todo. Por agora, quero dizer apenas que eu descobri que uma atitude simples realmente tem o poder de mudar o seu dia inteiro!)

Canal no YouTube da minha nova amiga Adriene :-)
Canal no YouTube da minha nova amiga Adriene 🙂

Já são 15 dias desde que resolvi desafiar o frio e a preguiça e começar a fazer algo pela minha saúde, pela minha rotina e pelo meu bem estar. Não vou dizer que é fácil, pois não é. Em 15 dias, falhei 5. Mas quer saber? Foi ótimo ter falhado, pois falhar me fez perceber que realmente existe uma diferença entre começar o dia com yoga e sem. Quando eu cumpro o acordo que fiz comigo mesma, eu começo o dia me sentindo feliz, energizada e confiante por ter conseguido vencer o frio e a preguiça, e isso determina o humor com o qual eu encaro o restante do dia. Por outro lado, quando o quentinho da minha cama me vence, eu demoro horrores pra levantar, tendo a ter preguiça até de tomar café, fico frustrada por não ter feito o que me propus a fazer e isso, da mesma forma, determina o humor com o qual encaro o restante do meu dia.

Crise dos 30 - Sra IncrivelNão existe regra e não precisa ser yoga. Eu escolhi esse tipo de exercício pois é exatamente o que eu preciso nesse momento: alguns minutos de silêncio, de interação corpo e mente e, principalmente, fortalecimento pra minha coluna (que, à propósito, tem duas semanas que não me mata de dor! Coincidência?). Eu vou precisar me tornar a Sra Incrível pra conseguir dar conta de algumas posições e talvez não me apaixone por yoga como várias pessoas que conheço, mas tudo bem – por enquanto está funcionando!

Um detalhe importante: eu sei que eu não conseguiria fazer isso se tivesse que acordar às 5 da manhã pra depois ir pro trabalho (algumas pessoas conseguem, tem gente até que acorda ainda mais cedo pra ir pra academia! Eu nunca entendi da onde vem tanta determinação, mas tudo bem…), mas acho que é importante encontrar uma forma de começar o dia bem e de uma forma positiva, seja lá como for. Eu não sei qual a sua realidade e o quão apertada é sua rotina, mas o que eu comecei a fazer quando ainda estava trabalhando no escritório foi ler uma passagem de um livro logo ao acordar, ainda na cama. Gostava de ler Rubem Alves, pois ele sempre me inspira. Outra coisa que eu fazia era lembrar de pelo menos 3 coisas pelas quais agradeci na noite anterior, e começar o dia com isso em mente (prática que adquiri com o coaching…).

Nessa nova fase da minha vida, o meu grande achado foi a Adriene. E já contei que ela tem um desafio de 30 Dias de Yoga? Olha ela aí:

Ahhhhhh… eu adoro um desafio!

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.