38° DIA: POR QUE EU LARGUEI O MEU TRABALHO E COMECEI A ESCREVER UM BLOG?

Crise dos 30

“O Crise dos 30 é ótimo, estou adorando seus textos e o blog está muito lindo! Mas, afinal, o que é que você quer pra sua vida? Qual é o objetivo que você está tentando alcançar?”

Nesses 38 dias, eu já recebi, de uma forma ou de outra, algumas variações dessa mesma pergunta. Várias pessoas acompanham o blog e me dizem que adoram o que me propus a fazer, mas que querem saber mais sobre quais são meus sonhos e meus objetivos nesse momento da minha vida.

Afinal de contas, por que eu larguei o meu trabalho e comecei a escrever um blog?

Os detalhes do porquê eu pedi demissão do meu emprego aqui na Nova Zelândia eu vou contar nos próximos capítulos do Relatos de Uma Inquieta (aliás, sobre os motivos que me levaram a escrever o blog eu já contei aqui e aqui, dá uma olhadinha lá!). No entanto, se mudarmos uma palavrinha dessa pergunta, abrimos espaço para uma discussão muito mais interessante:

Afinal de contas, PRA QUÊ eu pedi demissão do meu emprego?

Eu já estava infeliz com minha carreira há algum tempo. Na verdade, acho que não posso dizer que algum dia estive totalmente feliz com minha vida profissional: eu SEMPRE tive muitos questionamentos com relação ao mundo corporativo e desde o meu primeiro estágio percebi que eu tinha dificuldades para me encaixar naquela realidade. Com 19 anos de idade, eu não tinha medo de questionar meu gerente sobre os processos gerais da empresa, já que eu simplesmente não conseguia entender os motivos pra certos procedimentos serem tão engessados. “Sempre fizemos assim. Não importa se existe um jeito mais funcional, não vamos mudar agora” era a resposta que eu ouvia. Aos 21, ouvi da minha chefe (já em outro emprego) que eu precisava me render às politicagens do mundo corporativo se quisesse ter a oportunidade de subir de cargo, ao que eu respondi com todas as letras que não tinha o menor interesse. “Se agir como uma dissimulada, com sorrisos falsos e risadas politicamente corretas, for o único caminho para meu crescimento na empresa, não acho que terei futuro aqui, não…”. Não é de se espantar que eu tenha pedido demissão menos de 2 anos depois, né?

Isso tudo somado ao fato de que eu nunca vi sentido em passar a semana toda esperando a sexta-feira!

“Como assim VIVER 5 dias esperando pra REALMENTE VIVER apenas 2? Pera lá! Mais cedo ou mais tarde, eu vou morrer!!! Será que esse é um jeito inteligente de utilizar meus preciosos dias aqui na Terra?”

 Crise dos 30

Mas e agora? Será que existe alguma alternativa pra essa roda-vida?

Eu sempre acreditei que sim, existe! Tem que existir! Existem milhares de pessoas mundo afora provando através das próprias vidas que pode sim ser diferente. O que eu precisava era encontrar o meu caminho, do contrário, na MINHA VIDA, nada iria mudar – nunca.

E você não vai acreditar se eu te contar qual foi o grande desafio dessa etapa…

Reaprender a sonhar.

Quando eu digo sonhar, quero dizer sonhar intensamente, sonhar sem amarras, sonhar GRANDE. Simplesmente se permitir sonhar sem fronteiras, vencendo a tendência de sempre limitar o que se quer pelos muros do “POSSÍVEL”, do “REALÍSTICO” e do “PROVÁVEL”.

Crise dos 30

Como seria sua vida dos sonhos se você tivesse uma varinha de condão pra fazer ela acontecer?

“Eu moraria uma parte do ano em cada país. Teria um trabalho que me permitiria ir e vir. Ficaria no Brasil uns 4 meses por ano, mas trabalharia fora com o Henrique o restante do tempo. De preferência, conciliaria o gerenciamento da carreira de sucesso (o que nós consideramos sucesso) dele com algum projeto meu (não quero abandonar o Turismo). Gostaria de ter um certo dinheiro no banco e poder me preparar conscientemente para a velhice sem me privar do momento presente” – essa foi minha resposta pra essa pergunta em Novembro de 2014

No começo, eu me sentia boba só de pensar em falar em voz alta o que estava se passando na minha mente e no meu coração (pra ser sincera, ainda hoje me sinto um pouco). Além do óbvio medo das pessoas rirem da minha cara e dizerem que isso é impossível, que eu estou sonhando alto demais, quando olho meu caderno do coaching vejo que desde o início fiz várias anotações do estilo: “Isso é o que eu quero, mas o problema é que eu não consigo acreditar, de coração, que seja possível”.

Foram necessários muitos meses até que eu começasse a acreditar, mesmo que apenas um pouquinho, que meu sonho poderia sim se tornar realidade. Por que não? Pela primeira vez na vida eu tenho ao meu lado alguém que compartilha dos mesmos sonhos que eu e que já vive uma vida muito mais sem amarras do que eu mesma jamais vivi. E quer saber qual era o meu maior medo?

“Se nem eu nem o Henrique tivermos um emprego fixo, como é que vai ser? Nós vamos correr muitos riscos e dificilmente teremos uma vida financeira estável (pois é, à medida que fui evoluindo no processo de coaching percebi o quanto o medo de ficar sem dinheiro é algo forte em mim, provavelmente a mais forte das minhas crenças limitantes). Como faremos se não pudermos nunca contar com o dinheiro certo no final do mês? E se nós dois ficarmos sem trabalho? E se, e se, e se…?”

O engraçado é que eu demorei algum tempo pra perceber que, na verdade, eu não poderia querer nada melhor. Afinal, eu não quero estar com alguém que me acompanhe nessa nova fase da vida? Ruim seria se ele acreditasse na estabilidade de um emprego fixo e não me acompanhasse nessa jornada, ou pior, se dedicasse a cortar meus sonhos pela raiz!

Tem sido fácil? De jeito nenhum! Ter pedido demissão pra acreditar na possibilidade desse novo estilo de vida tem sido até então o maior risco que já corri. No entanto, de Novembro pra cá, esse sonho já tomou muito mais forma. Naquela época, eu não fazia ideia de como viabilizar isso tudo e vivia angustiada, pois não tinha nenhuma ideia de como conciliar o gerenciamento da carreira do Henrique com minha paixão pelo Turismo. Com o tempo, as coisas foram se encaixando. Me dei um tempo pra me conhecer melhor, mergulhei fundo no mundo do desenvolvimento pessoal e do auto-conhecimento e comecei a resgatar antigas paixões, relembrar das coisas que mais amo fazer e do que mais me dá prazer. Acima de tudo, comecei a colocar pequenos sonhos à prova: na prática!

“Será mesmo que escrever todos os dias é algo que vai contribuir pra minha felicidade e pro estilo de vida que quero levar? Não sei! Então vamos tentar e ver como eu me sinto!”

O que antes era um esboço em preto e branco de uma vida que seria até “boa demais pra ser verdade”, hoje tomou forma: tem contorno, muita cor, som e até sabor.

Crise dos 30

Hoje, dia 26 de julho de 2015, como seria minha vida dos sonhos se eu tivesse uma varinha de condão pra fazer ela acontecer?

“Moraríamos em torno de 6 meses por ano num país que nos ofereça ótima qualidade de vida e que seja nossa base (nesse momento, estamos tendendo para Austrália) e passaríamos cerca de 3 a 4 meses no Brasil, perto de quem a gente mais ama, sem que isso signifique ter que abraçar a vida profissional que tínhamos antes. O restante do ano, viajaríamos divulgando o trabalho do Henrique, e tudo isso sem que eu precise abrir mão do meu trabalho, que hoje já é um esboço bem traçado de um projeto que combina desenvolvimento pessoal através do coaching + desenvolvimento pessoal através das viagens. Uma vida repleta de amor, onde a solidão não mais terá vez, recheada com nossa família e cercada por um trabalho cheio de significado, resultado da combinação perfeita das nossas maiores paixões”.

Estou sonhando alto demais? Pode até ser, mas uma coisa posso afirmar: já dei o primeiro passo na construção da minha própria varinha de condão Crise dos 30 - Blink

“Aceitar e abraçar minhas asas e levar comigo minhas raízes

Aceitar minhas asas… Abraçar minhas asas… Essas mesmas asas que me levaram pra tão longe, e que em breve me permitirão voltar.”

Love,

Carol

 

PS: Essa semana eu perdi a minha vó. A dor de estar longe e de simplesmente NÃO TER OPÇÕES pra chegar lá a tempo (mesmo que eu comprasse uma passagem e embarcasse no próximo avião, eu levaria cerca de 60 horas pra chegar em Cataguases) me fez sentir uma raiva enorme, e por um minuto eu briguei com Deus. No minuto seguinte, eu olhei pro Henrique e uma frase saiu, sem nenhum ensaio, da minha boca: “Eu vou fazer nosso plano dar certo, você vai ver. Isso nunca mais vai acontecer.”

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.