44° DIA: FEITO É MELHOR QUE PERFEITO

Castelo de areia

Desde de novembro de 2014, quando descobri o universo do desenvolvimento pessoal e comecei a fazer meu primeiro programa de coaching, essa frase tem sido umas das que eu mais ouço no meu dia-a-dia. Todo mundo fala a mesma coisa: feito é melhor que perfeito, na tentativa de incentivar as pessoas a colocar suas ideias em prática antes que todos os detalhes estejam definidos. Primeiro faça, depois vá aperfeiçoando pelo caminho.

Eu obviamente conseguia entender o conceito por trás dessa forma de pensar mas, pra ser sincera, não acreditava muito no poder dessa mensagem. Pra mim, não fazia sentido colocar no mundo um projeto pela metade: eu sou o tipo de pessoa que precisa entender todos os detalhes, precisa ver começo, meio e fim. Eu queria ter certeza de que eu era boa o suficiente antes, pra só depois dar a cara à tapa. Só recentemente essa ‘filosofia’, se é que posso chamar assim, começou a realmente fazer sentido pra mim.

Quando você descobre algo novo que desperta seu interesse e curiosidade, é natural que comece a buscar mais informações sobre o assunto, leia mais sobre as pessoas que estão envolvidas naquele meio e busque aprender ao menos os fundamentos principais desse seu novo interesse. No entanto, quando o tema se revela não apenas uma mera curiosidade, mas sim uma verdadeira paixão, a sensação é de que uma cortina se abre e você passa a ter acesso a um mundo completamente novo, um mundo onde cada pedacinho de informação te atrai, te instiga, te faz querer conhecer mais.

Feito e melhor que perfeitoSabe qual a ocasião onde eu mais me sinto assim? Quando estou planejando uma viagem para algum lugar pela primeira vez. São tantas informações, tantos detalhes a serem pesquisados, tanta empolgação! A cada blog ou guia que leio sobre o lugar fico mais fascinada, e é por isso que não abro mão de planejar ativamente minhas viagens: pra mim, essa é parte fundamental de toda a diversão e é o que faz crescer o meu entusiasmo pelo novo destino. Eu sou adepta do “o prazer de viajar começa muito antes da viagem começar”.

Descobrir o mundo do desenvolvimento pessoal causou essa mesma sensação em mim: eu mergulhei de cabeça, e simplesmente não conseguia mais parar. Eu estava consumindo tanto conteúdo, estava tão imersa em livros, palestras, eventos, cursos, e ainda faltava tanta coisa pra aprender, que eu comecei a trilhar o caminho inverso: quanto mais eu aprendia, menos eu me sentia preparada para falar qualquer coisa sobre o assunto, ou para reorganizar minha própria vida de acordo com todo aquele novo conhecimento que eu estava adquirindo. Era uma avalanche de informações, e eu estava me sentindo cada vez mais pequenininha diante daquilo tudo. Foi aí que surgiu o Crise dos 30 e o Desafio dos 222 Dias: esse foi meu pontapé inicial, uma maneira que encontrei de começar a fazer algo, mesmo que esse algo ainda não tivesse nenhum formato definido e que a própria ideia ainda não estivesse totalmente formatada. Foi a partir daí – e somente a partir daí – que a filosofia do “feito é melhor que perfeito” passou a fazer total sentido pra mim. Fez sentido porque eu parei de apenas ouvi-la e tentar entendê-la e passei a realmente vivê-la.

Se eu tivesse até hoje esperando ter uma ideia 100% concebida para começar a fazer o que eu sentiaFeito e melhor que perfeito naquele momento que devia fazer (escrever, pura e simplesmente escrever) eu provavelmente estaria até hoje no mesmo lugar que estava 44 dias atrás: sentada na minha sala, olhando para o quintal do vizinho e tentando descobrir o que fazer da minha vida. Não que hoje eu já tenha tudo resolvido (se você acompanha o Crise dos 30 sabe que estou bem longe disso). Mas se eu não tivesse começado a escrever da forma que eu podia, que eu sabia e que eu queria fazer, eu estaria até hoje achando que eu não sou capaz, e que minhas ideias não são boas o bastante.

Nem tudo são flores, é verdade. Eu me desafiei a escrever, todos os dias, por 222 dias, e nesse tempo observar e registrar todo o meu processo com o objetivo de, quem sabe, chegar ao final dessa etapa tendo um pouco mais de clareza sobre como vou conduzir meu futuro. No entanto, sentar para escrever todos os dias, independentemente do meu humor e do meu nível de criatividade e inspiração, tem sido por si só o maior dos meus desafios. Ter me comprometido com esse projeto me força a escrever dia após dia e, com isso, consigo perceber falhas, melhoras e também o quanto escrever me faz bem. Por outro lado, várias vezes eu acabo publicando textos dos quais não gostei, que eu não acho que estão bons o suficiente e, se não fosse pelo desafio, jamais publicaria.

Foi isso que aconteceu com esse texto aqui. Quando eu me sentei pra escrever, tinha a ideia toda esquematizada na minha mente, mas as palavras simplesmente não fluiam! Tinha tanta coisa que eu queria dizer, a mensagem que eu queria transmitir era tão simples e ao mesmo tempo tão essencial pra mim, mas não importa o quanto eu tentasse, não conseguia transferir aquilo tudo pro papel. Mais de duas horas depois, acabei publicando mesmo assim. Meio com vergonha, achando tudo uma grande porcaria, mas publiquei. Qual não foi a minha surpresa quando recebi mensagens de leitoras dizendo que adoraram o texto, que ele as fez pensar e que elas eram agradecidas por eu ter compartilhado aquela reflexão.

Eu fiquei tão surpresa, e ao mesmo tempo tão feliz!

Se eu tivesse esperado que o texto ficasse perfeito, de acordo com os meus padrões, provavelmente teria desistido de publicá-lo. E essas pessoas talvez não tivessem tido acesso a uma mensagem importante, a mensagem que elas precisavam receber naquele momento.

O Crise dos 30 tem me mostrado o valor do “feito é melhor que perfeito” a cada dia. São tantas pessoas (amigos, família, conhecidos e pessoas que eu nunca vi) que já me escreveram dizendo que gostam dos meus textos, que se identificam, que apreciam as reflexões e, mais que isso, que até já tomaram alguma decisão importante depois de refletir sobre algo que eu escrevi – pra mim não existe alegria maior!

Feito e melhor que perfeitoNão são centenas de pessoas, bem longe disso, talvez encha os dedos das mãos. Mas pra mim não é isso o que importa. O que importa e o que faz tudo ter sentido é a sensação de que eu posso, através da minha escrita, algo que é tão natural em mim, inspirar alguém a tomar uma decisão, a fazer uma escolha, a reavaliar alguns aspectos da sua vida, ou quem sabe, trazer um outro olhar pro seu dia-a-dia. Esse é o meu maior presente. É o presente perfeito que recebo quando divido com o mundo minha mais pura imperfeição.

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.