73° DIA: A ESTRADA

A estrada - Crise dos 30

O cenário completo

Enquanto caminhava, numa manhã gelada, olhei por cima do morro que eu subia. Abaixo de mim, estendia-se um amplo vale com um rio. Do outro lado do vale, uma muralha de nuvens baixas obscurecia os campos; mas elevando-se acima das nuvens estavam os distantes picos das montanhas, arroxeados e vívidos, recortando-se contra o céu pálido. Às vezes, a vida é como o vale onde tudo está claramente visível. Conseguimos ver para onde estamos indo e avistar os obstáculos que precisamos evitar. Às vezes, alcançamos os picos das montanhas. Outras vezes, nosso caminho está obscurecido. Fica difícil saber para onde estamos nos dirigindo, como se estivéssemos tentando achar nossa passagem em meio a nuvens baixas ou névoas. Já não conseguimos ver com clareza o caminho. Não conseguimos ver os detalhes. Podemos ver os contornos aproximados do caminho, mas não os buracos, as pedras soltas ou os trechos lamacentos. Embora o destino final seja claro, não temos a certeza de qual deva ser nosso próximo passo. Não importa aonde a vida nos leve ou quão escuro seja o caminho, Deus está conosco, pronto para nos orientar a cada passo. Quando a caminhada fica difícil, Deus nos segura pela mão ou nos carrega por cima dos lugares árduos ou traiçoeiros.

Engraçado como a vida acontece em ciclos…

Hoje esbarrei nesse pequeno texto que já não lembro mais onde li pela primeira vez, só sei que o publiquei na minha página do Facebook no dia 18 de maio de 2011, exatamente duas semanas após chegar na Nova Zelândia. Naquela época, eu tinha decidido dar um passo importante mesmo sem conseguir enxergar a estrada que se abria à minha frente (na verdade, eu achava que ela não existia). Eu sentia como se meu caminho estivesse totalmente obscuro e não fazia ideia da onde aquilo tudo ia dar, mas mesmo com medo, eu optei por continuar.

Quase dois anos haviam passado, quando no dia 23 de março de 2013 eu esbarrei nessa mesma publicação de novo; no entanto, naquele dia ela já não tinha mais nada a ver comigo, tampouco com o que eu estava vivendo naquele momento. Como eu sei disso? Porque o comentário que deixei no meu próprio post foi esse aqui:

“Que sentimento inexplicável ler isso depois de quase 2 anos… Tanta coisa já aconteceu, tantas feridas já cicatrizaram… Obrigada, meu Deus!!!”

Em 2011 eu estava vivendo um dos momentos mais difíceis da minha vida, e nem podia imaginar que dois anos depois eu já tinha recriado minha realidade completamente: estaria morando num país que eu jamais imaginei morar um dia, tendo oportunidades profissionais que iam muito além do que eu achava que teria e, pra finalizar com chave de ouro, estava também vivendo um grande amor.

Hoje, dois anos e meio depois, sei lá eu o porquê, esbarro novamente com esse mesmo texto, mas dessa vez, assim como em 2011, ele me cai como uma luva. A diferença? A diferença é que dessa vez eu sei que posso confiar na estrada. Sei que ela está ali e confio na rota traçada, mesmo que eu não a veja e não faça ideia onde ela vai dar.

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.