81° DIA: RELATOS DE UMA INQUIETA – “PROGRAMA ESCOLHA SUA VIDA: UMA LUZ (AINDA QUE BEM FRAQUINHA) NO FIM DO TÚNEL”

Luz no fim do tunel - Crise dos 30

Foi em novembro de 2014 que eu comecei a fazer o Programa Escolha Sua Vida (ou PESV), aquele programa de coaching do qual falei aqui. Posso dizer que essa foi a fase em que eu estava no pico (ou melhor, no fundo) da minha depressão.

Importante dizer que, no meu caso, não era uma depressão clínica, mas sim o que eles chamam aqui de ‘depressão situacional’, ou seja, desencadeada por um acontecimento específico ou uma série deles. De qualquer forma, os sintomas são na maioria das vezes os mesmos da depressão clínica, e estavam afetando absolutamente todas as áreas da minha vida: desde minha produtividade e habilidade de resolver problemas no trabalho até meu relacionamento com amigos e namorado.

Ter começado o coaching foi, logo de cara, algo muito positivo. Me deu, antes de mais nada, esperança de me ver livre daquela situação angustiante, além de me apresentar para um grupo de dezenas de pessoas que estavam, assim como eu, em busca de mais sentido para a vida delas. Muita gente desiludida com suas carreiras, muita gente em busca de significado para o que fazem, muita gente procurando identificar quais eram suas verdadeiras paixões. Ali naquele grupo virtual eu me sentia em casa, pois sabia que podia falar exatamente o que se passava na minha cabeça e eu seria compreendida.

Programa Escolha Sua Vida

Como funciona o Programa Escolha Sua Vida

O programa é dividido em 12 módulos, dos quais, sem sombra de dúvidas, os que tiveram o impacto mais profundo na minha vida foram os cinco primeiros, cujas temáticas são: Foco, Clareza, Energia, Gratidão e Coragem.

As primeiras semanas do programa foram extremamente importantes para me situar novamente e me ajudar a gerar, aos poucos, uma visão mais ampla da minha situação e de tudo o que eu estava vivendo. Os módulos sobre Foco e Clareza deram um giro de 180° na forma como eu estava vendo o mundo, me fazendo perceber aspectos práticos que eu precisava mudar na minha rotina (vou falar melhor sobre isso nos próximos posts aqui do Relatos de Uma Inquieta).

Ponto de exclamaçãoGente, coaching não faz milagre! Pra você conseguir ter algum resultado, é necessário muito comprometimento e muita vontade de se descobrir e se conhecer melhor. É preciso separar algumas horas cada semana para fazer, com foco e dedicação, cada um dos exercícios propostos, além de estar disposto a trazer toda a teoria para a prática, dia após dia. Mexe com seus pensamentos, mexe com sua forma de ver as coisas ao seu redor, mexe com sua rotina. Mas meu Deus! Como vale a pena!

Posso dizer que foram esses cinco primeiros módulos que me seguraram e me permitiram continuar levando minha vida sem enlouquecer, enquanto o grande momento do ano, o dia pelo qual eu estava ansiosamente esperando durante meses, não chegava: a chegada da minha família, que me visitaria pela primeira vez aqui na Nova Zelândia!

Lendo o meu Caderno do Eu (caderno onde eu fazia os exercícios e todas as anotações do coaching), fica evidente o quanto aquele momento era tudo o que eu mais ansiava: todos os meus planos, todas as minhas expectativas e todas as mudanças que eu estava planejando aconteceriam contanto que não atrapalhassem em nada a estadia dos meus pais, meu irmão, minha cunhada e do filho do Henrique, que chegariam na semana do Natal e ficariam um mês inteirinho aqui com a gente.

Mas não estar bem é uma merda, né? Por mais que eu tentasse levar tudo numa boa e não preocupar ninguém com os meus problemas, ainda faltava muito chão pra que eu voltasse a ser eu mesma. Eu estava estressada, depressiva, cansada e, pra falar a verdade, bastante perdida, e o fato de ter que continuar trabalhando praticamente sem folga durante todo o período que eles estavam aqui só fez piorar tudo. E família, sabe como é, né? A gente se ama, mas a gente também briga, se chateia com as manias alheias e até se ofende com algumas coisas. Eu costumo brincar que vivemos, durante quatro semanas, um Big Brother: uma casa de um dormitório com sete pessoas confinadas. Não tenho dúvidas que se houvesse um paredão, eu seria a primeira a ser eliminada emoticom

Eu estava insuportável! Nem eu me aguentava. Acho que me pressionei tanto para tentar esconder o que de fato estava acontecendo, que acabei criando momentos desconfortáveis pra todo mundo. Como é que você esconde sua vontade de chorar o tempo inteiro? Às vezes escapa, e geralmente nas horas erradas…

AucklandNYE in AucklandTaupoLake TaupoMount CookQueenstown

De qualquer forma, as férias estão longe de terem sido um desastre. Aproveitamos muito, viajamos, pegamos praia, fizemos caminhadas (nas quais, surpreendentemente, minha mãe nos acompanhou do começo ao fim), vimos lagos e montanhas, fizemos milhares de pic-nics, descemos o barranco rolando dentro de uma bola gigante, fomos ao zoológico e jogamos muito baralho. Essas quatro semanas, sem dúvida, me deram a energia necessária pra continuar o que eu tinha me proposto a fazer: mudar, de uma vez por todas, o que eu tinha que mudar na minha vida. Eu não podia me permitir continuar assim.

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista residente em Auckland, gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito (contanto que a morte não seja o assunto da rodinha) e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.