92° DIA: RELATOS DE UMA INQUIETA – “(RE)DESCOBRINDO NOVAS PAIXÕES”

novas paixões - Crise dos 30

Essa coisa do “faça o que você ama” pode mesmo ser muito ingrata. É engraçado como, naquela época, eu olhava para o Henrique e pensava: “Tão mais fácil ser alguém assim, com uma paixão tão bem definida. Ele é e sempre foi músico, é isso o que quer fazer da vida e pronto – se não for música, nada mais faz sentido”. Pra mim as coisas não são assim. Eu nunca tive um talento latente, algo que tanto eu quanto as pessoas que me cercam enxergassem nitidamente como sendo algo que eu nasci pra fazer, e por isso eu passei anos achando que não tinha talento algum.

Eu vejo tanta, mas tanta gente ávida por uma vida com mais propósito e mais sentido, mas que acaba empacando logo na largada. Por quê? Porque fica tão obcecada em descobrir suas paixões, que não consegue encontrar nada. Por não saber pra que lado seguir, acaba não seguindo pra lugar algum.

Mais recentemente, quando estava fazendo a primeira etapa da minha formação em coaching, minha tutora me contou uma história que fez todo o sentido pra mim: tinha uma moça, mais ou menos da minha idade, que a procurou pois estava extremamente infeliz com sua carreira. Queria mudar, mas não tinha ideia do que fazer. Durante o processo de coaching, ela chegou à conclusão que queria trabalhar com gastronomia ou eventos, mas tinha medo de gastar tanto tempo e dinheiro para estudar uma nova profissão, e depois se arrepender.

– E você alguma vez organizou algum evento?

– Não, respondeu a moça.

– E já cozinhou algum banquete, ou costuma oferecer jantares para seus amigos e sua família?

– Também não, gosto mesmo é de assistir reality shows de culinária e acho que eu iria adorar fazer o mesmo, ela respondeu.

– Quem sabe não seja uma boa ideia você testar algumas possibilidades antes de mergulhar de cabeça em uma nova profissão? Faça cursos livres, procure oportunidades de exercer informalmente algo relacionado à profissão (organizando festas para amigos, organizando jantares em casa), teste novas possibilidades para ver com qual delas você se identifica mais, foi a sugestão da coach.

novas paixõesSabe qual o final da história? Essa moça acabou virando fotógrafa! Ela fez uma lista com vários hobbies que ela queria tentar, e um deles foi fotografia. Durante um curso livre seguido de um workshop, ela caiu de amores pela profissão, e hoje vive disso.

Não parece uma loucura que a gente queira entrar de cabeça numa nova profissão sem nem saber direito do que se trata? Não é insano que a gente ache que tenha que ter a resposta na ponta da língua, sem nem se permitir um tempo pra testar novas possibilidades?

No comecinho desse ano eu ainda não tinha ouvido essa história, então eu continuava consumindo meus dias e toda a minha energia na tentativa de encontrar algo pelo qual eu fosse apaixonada, ou então, uma nova faceta do Turismo que eu pudesse levar comigo na criação dessa vida que eu queria viver. As coisas só começaram a evoluir quando eu, cansada de ficar andando em círculos, como cachorro atrás do próprio rabo, resolvi focar em outra coisa: na dificuldade em encontrar aquilo que invariavelmente fará meu coração bater mais forte, por que não focar em descobrir, ao menos, o que eu quero e o que eu não quero que faça parte desse meu novo estilo de vida? O que eu tenho hoje que eu quero que permaneça, e do que eu quero me livrar? O que eu não tenho que eu quero conquistar, e o que eu não tenho e prefiro continuar sem?

Ah, como é boa a sensação de ter um pouquinho mais de clareza! A princípio, foi muito mais fácil identificar o que eu não queria, mas aos poucos os detalhes do que exatamente eu queria foram também se desenhando na minha mente, e esse foi um primeiro passo importante nessa trajetória do “faça o que você ama e transforme sua paixão em trabalho”, embora naquele momento eu ainda não reconhecesse isso.

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Foi durante um final de semana que eu tirei para me dedicar a assistir diversas palestras online sobre coaching e desenvolvimento pessoal, que as pecinhas começaram a se encaixar. Acho que o preconceito que eu desenvolvi ao ver tanta gente à minha volta resolvendo se tornar coach (muita gente acaba escolhendo esse como o “caminho da grana fácil” – vou falar mais sobre isso daqui uns dias) me cegou, me levando desde o início a desconsiderar essa possibilidade por não querer ser apenas mais um na multidão. No entanto, quando me veio esse clique, tudo passou a fazer total sentido. Eu fui direto no meu caderno, onde eu tinha meses e mais meses de anotações, e revisei cada uma das linhas que eu tinha escrito durante o meu próprio processo de coaching. Ao ler tudo aquilo, todos os meus anseios, sentimentos e minhas observações sobre a vontade avassaladora de espalhar minha mensagem aos quatro cantos, eu tive certeza de uma coisa: eu sempre fui coach, mas eu não sabia.

Novas paixões - Crise dos 30Eu não sabia porque, até bem pouco tempo atrás, eu simplesmente não tinha ideia que existia uma profissão que era o encontro de tudo o que eu acredito combinado com tudo aquilo que eu passei a vida toda não apenas falando pras pessoas, mas procurando mostrar através da minha própria vida. A VIDA É MAIS! A VIDA PODE SER MAIS! E a gente pode sim tomar as rédeas.

Quando eu me permiti me imaginar coach, foi difícil conter o sorriso. Cada célula do meu corpo sabia que era isso, que eu tinha encontrado o que eu estava procurando, e que eu não precisaria abandonar o Turismo para seguir uma nova carreira. No final das contas, o coaching veio como resposta à uma pergunta que eu me fazia há alguns anos:

Como ser feliz promovendo algo que eu não acredito, que eu não respeito e que eu não consumo? De que forma eu posso promover um Turismo mais próximo do meu coração, que tenha mais a ver com o estilo de viagem que eu gosto de fazer, e que possa realmente ser um agente de transformação?

A mente começou a borbulhar, minhas mãos começaram a, por conta própria, rabiscar ideias num papel. Eu não controlava mais nada, e tudo fluía. Meu corpo obedecia a uma força que já não era pura consciência, e de repente eu me vi de novo num lugar que eu sempre gostei de estar, mas que há tempos não conseguia encontrar o caminho de volta. Aquele lugar onde eu posso simplesmente ser, por inteiro: uma sonhadora inata, que vê graça mesmo é em sonhar.

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista residente em Auckland, gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito (contanto que a morte não seja o assunto da rodinha) e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.