98° DIA: RELATOS DE UMA INQUIETA – “ENCONTRANDO A RESPOSTA EM UM LIVRO”

Encontrando a resposta - Crise dos 30

Os dias que se seguiram foram ainda piores do que os anteriores. Eu me sentia totalmente sem saída, numa tremenda enrascada. Já não sabia mais o que eu estava fazendo, e nem mesmo o porquê. Só sabia que meu corpo estava pagando o pato, e minha depressão estava se aproveitando da fragilidade da situação para tomar conta do pedaço.

Se tem uma coisa que eu sempre amei fazer é ler. Adoro ter um livro de cabeceira: mal termino um, já pego outro. Naquela época (entre fevereiro e março de 2015) eu estava lendo o lendário “The 4-hour work week”, do Tim Ferriss (em português o título é “Trabalhe 4 horas por semana”). Essa é considerada a bíblia dos nômades digitais, no entanto, nem vou me aprofundar aqui com relação à minha opinião sobre os conceitos apresentados no livro. Vou dizer apenas que ele é em partes sensacional, e em partes completamente egoísta, no estilo “milhões de dólares pra mim, e algumas rúpias pro resto do mundo”. Mas enfim, essa discussão fica pra uma próxima oportunidade…

A questão é que tem uma parte do livro em que o Tim Ferriss fala bastante sobre o quão insano é o conceito do “deixar pra viver plenamente quando a aposentadoria chegar”, um dos questionamentos mais presentes em minha vida durante os últimos dez anos. Nessa parte do livro, ele propõe um exercício fantástico, que eu fiz e serei eternamente grata por ter esbarrado nesse livro exatamente naquele momento da minha vida. O exercício não é nenhum bicho de sete cabeças, muito pelo contrário! De tão simples, aposto que a grande maioria dos leitores nem pensa em interromper a leitura pra pegar papel e caneta: passam batido e perdem uma ótima chance de ter acesso a uma ferramenta de coaching (que hoje eu sei identificar mas, naquela época, ainda não sabia).

Crise dos 30 - O que tem de errado comigoVocê está com medo de fazer alguma coisa? Morre de vontade de tomar aquela decisão, mas tem medo das consequências negativas que isso pode te trazer? Tem medo de fazer uma burrada?

Então que tal pegar papel e caneta e tentar usar esse mesmo método que eu usei e que hoje posso dizer que me tirou do limbo?

O exercício que o Tim Ferriss propõe é o seguinte:

  1. Defina qual seria o seu pior pesadelo, o que de pior poderia acontecer na sua vida caso você fizesse aquilo que você está considerando fazer. Escreva todos os detalhes, quanto mai detalhes, melhor.
  2. Numa escala de 1 à 10, qual seria o impacto permanente de cada um dos itens que você identificou em sua resposta acima? (1 sendo totalmente reversível e 10 sendo absolutamente irreversível)
  3. Caso todas essas coisas realmente acontecessem, o que é que você poderia fazer para reparar o estrago e colocar a vida de volta nos trilhos, mesmo que de forma temporária?
  4. Agora vamos falar sobre os benefícios da sua decisão. Quais são os resultados positivos que você pode obter se tomar a decisão que você está considerando?
  5. Numa escala de 1 à 10, qual seria o impacto permanente de cada um dos itens que você identificou em sua resposta acima? (1 sendo totalmente reversível e 10 sendo absolutamente irreversível)
  6. Você sabe de pessoas menos inteligentes que você que fizeram o que você está pensando em fazer e deram conta do recado?
  7. Qual a probabilidade de você conseguir gerar uma renda razoável se você tomar essa decisão que você está considerando?
  8. Se você fosse demitido do seu trabalho hoje, o que você faria para recuperar o controle de sua vida financeira?
  9. Do que é que você está abrindo mão em nome do medo?
  10. O que é que adiar essa decisão está te custando (tanto financeiramente, quanto emocionalmente e fisicamente)?
  11. O QUE É QUE VOCÊ ESTÁ ESPERANDO???

Encontrando a resposta - Crise dos 30

Ter tirado uma horinha do meu dia pra responder, com calma e foco, a essas perguntas, me devolveu a esperança, a confiança e a vontade de sacudir a poeira e escrever um final diferente pra minha história.

Ao me dedicar a esse exercício, eu percebi duas coisas fundamentais:

  1. Eu já estava vivendo o meu pior pesadelo, pois se tudo desse errado e eu tivesse que dar um jeito de colocar minha vida financeira nos eixos novamente, a pior das consequências seria eu ter que atualizar meu currículo e arranjar um emprego… adivinha? EXATAMENTE IGUAL AO QUE EU TINHA NAQUELE MOMENTO! Se tudo desse errado, o pior que provavelmente aconteceria seria eu ter que voltar pro mundo do Turismo, e essa realidade eu já vivia!
  2. Eu estava, por causa do medo, deixando de batalhar pela possibilidade, por menor que ela fosse, de um dia viver uma vida que tenha mais a ver comigo, mais a ver com os meus valores. Pra você ter uma ideia do quanto isso é sério pra mim, eu tenho uma tatuagem que diz: “One life, one chance” (uma vida, uma chance).

Agora me diga: como é que eu poderia continuar me comportando como vítima do mundo depois de ler minhas próprias respostas pra essas perguntas?

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A coach Paula Abreu diz durante o Programa Escolha a Sua Vida que, quando nós fazemos as perguntas e estamos atentos para receber as respostas, elas vêm. O universo (ou, como eu prefiro acreditar, Deus) tem a sua forma de nos mandar os sinais, mas precisamos estar não apenas dispostos, mas sim, praticando a atenção cuidadosa para reconhecer quando eles chegam.

Então, chame como quiser o que aconteceu comigo na semana após eu ter lido esse trecho do livro. Se você acredita em coincidências, ok, mas eu prefiro acreditar que recebi uma resposta à minha pergunta. Exatamente naquela semana eu decidi retomar o meu processo de coaching e o módulo seguinte era sobre coragem. Assisti ao vídeo, fiz diversos outros exercícios e, no final, eu precisava responder a pergunta: O que você aprendeu nesse módulo? Essa foi a minha resposta, registrada em meu caderno e transcrita aqui na íntegra :

“Aprendi que os melhores momentos que vivi e as melhores memórias, conquistas e histórias que tenho pra contar foram frutos da minha coragem. O estágio na Disney, minha saída da CVC e ida para a Blue Tree, meu trabalho na Abreu, a ida pra África, meu divórcio, a volta para a casa dos meus pais, a vinda pra Nova Zelândia, meu trabalho na OPS: tudo fruto da minha coragem, então por que diabos estou tão paralisada agora? Se tudo o que tenho são frutos dos meus voos, por vezes altos, por vezes rasantes, por hora confiantes, outras horas tão desajeitados, o que me faz pensar que dessa vez é a terra firme o meu lugar? O que me faz pensar que voar é tão perigoso? A mente da gente realmente prega muitas peças… Medo de aprender com a própria história, vê se pode?”

Ninguém me deu as respostas, e acho que é exatamente por isso que elas têm muito mais valor. As respostas que eu tanto procurava estavam o tempo todo dentro de mim, e eu tinha finalmente as encontrado.

Encontrando a resposta - Crise dos 30Eu tinha medo de estar velha demais, medo de ser tarde pra arriscar – e pra errar (olha a Crise dos 30 aí!) – e tinha uma sensação muito forte de que eu precisava de estabilidade, que não seria sensato fazer diferente. Nenhum desses sentimentos desapareceu da noite pro dia, eles ainda estão aqui. A diferença é que eu resolvi, de uma vez por todas, parar pra ouvir e começar a confiar na minha própria história.

Quando eu me abri para ouvir minha intuição, relembrar o meu passado e as histórias de como cheguei até aqui, as respostas vieram, todas de uma vez. Dia 20 de março eu completei 30 anos e escrevi esse texto aqui, que tem um valor sentimental inexplicável pra mim, pois retrata tudo o que eu estava sentindo naquele dia; no final de semana seguinte eu me descobri coach (sim, agora seria a ordem cronológica de publicar esse post aqui, mas ele foi postado fora de hora… Sorry!) e no dia 26 de março eu tive a certeza que eu precisava pedir demissão definitivamente. E dessa vez eu o fiz, sem voltar atrás.

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.