99° DIA: RELATOS DE UMA INQUIETA – “A CHEGADA DOS 30″

Crise dos 30

Que incrível é a sensação de fazer novas descobertas sobre si mesmo! Acho que, na minha escala particular de empolgação, ela está lado a lado com a alegria que sinto ao visitar um país ou uma cidade na qual nunca estive antes.

Eu tinha acabado de fazer 30 anos e, até aquele dia, entrar na casa dos 3.0 era algo com o qual eu não lidava muito bem. Eu sempre achei que no dia do meu aniversário eu ia querer me trancar num quarto escuro e não ver ninguém, mas acabou acontecendo exatamente o contrário. Por anos eu me imaginei vivendo esse dia exatamente como o Joey nessa cena inesquecível de Friends:

mas, acabou que o que eu vivi foi algo bem mais parecido com essa cena aqui, da Helen Hunt no maravilhoso (putz, que saudade que bateu agora!) Mad About You:

Eu tenho a nítida sensação de que foi no exato dia do meu aniversário de 30 anos que eu realmente me aceitei, e parei de brigar com minhas vontades, com meus sentimentos e com os desejos que eu tinha pra minha vida (nesse post aqui está o texto que escrevi e me dei de presente no dia do meu aniversário). Ter me descoberto coach na mesma semana acabou vindo para coroar o início de uma nova fase – foi a cereja do bolo de um período tão curto, mas onde tantos avanços tinham sido feitos: meu aniversário de 30 anos + eu verdadeiramente me entender e me aceitar + a emersão de uma nova paixão + a possibilidade de uma nova trajetória profissional.

Tudo isso somado ao fato de que eu sentia nitidamente que ter voltado atrás no pedido de demissão tinha apenas piorado a minha saúde física e emocional, me fizeram tomar a decisão final de largar o meu emprego – de novo.

Crise dos 30Foi um passo difícil, mas foi dado, e dessa vez foi definitivo. Eu estava satisfeita comigo mesma por ter finalmente conseguido agir de acordo com a minha intuição, dando mais ouvido ao meu coração do que à minha razão. Lembro que naquele 1° de maio eu saí do escritório com uma mistura de sentimentos muito esquisita: de um lado, uma voz que dizia: “Ufa! Até que enfim!”, e de outro, uma voz tão alta quanto a primeira, mas essa gritava: “Tá, mas e agora?”.

Dentro de mim eu sabia que eu precisava de um tempo pra simplesmente me reconectar comigo mesma: eu precisava descansar, relaxar, continuar me dedicando ao meu processo de coaching e redescobrir, aos poucos, quem eu era e o que é que eu realmente gostava de fazer com meu tempo livre. Eu sabia que era isso que eu precisava fazer. Eu sabia que era o mais inteligente e o mais sensato, talvez até o mais justo comigo mesma. Mas eu estava com medo.

Eu estava com medo de me render ao desânimo que insistia em bater na minha porta, pois eu achava que se eu me rendesse aos encantos do sofá por um dia que fosse, eu faria o mesmo no dia seguinte, e no outro, e no outro, e no outro. Eu tinha pavor de me sentir daquele jeito, então eu lutei contra a tristeza todas as vezes que eu pude, e com toda a força que eu tinha.

Além disso, eu achava que eu não podia ficar parada. Se eu não estivesse lendo eu tinha que estar assistindo alguma palestra na internet, se eu não estivesse estudando francês eu tinha que estar fazendo algum exercício físico, e se eu não estive fazendo nada, eu tinha que ao menos cozinhar ou aspirar a casa.

Eu queria poder dizer aqui que eu fui paciente e gentil comigo mesma durante esse período de readaptação e incertezas, mas infelizmente essa não é a verdade.Dinheiro - Crise dos 30

Há tempos que eu percebi que eu tenho problemas com o ócio e que eu realmente não sei ficar em paz com ele, mas foi somente quando saí do meu trabalho que isso se tornou um verdadeiro problema pra mim. Além de eu não achar que eu tinha o direito de relaxar (nunca!) eu estava muito preocupada com dinheiro. Eu ainda não fazia ideia do que eu queria fazer, mas eu achava que o meu primeiro e imediato passo tinha que ser algo que pudesse me gerar alguma renda. Eu pensava em escrever um blog, não sabia nem sobre o quê ainda e já ficava matutando e investigando se existiria alguma possibilidade de monetizar; aí eu pensava em estudar para me tornar coach, nem tinha entrado no curso ainda e já achava que tinha que ter uma ideia brilhante pra criar logo um programa com o qual eu pudesse ganhar algum dinheiro.

Embora eu, sem a menor sombra de dúvidas, estivesse ficando cada vez melhor emocionalmente (o dia-a-dia era cheio de altos e baixos mas, no geral, eu estava me recuperando super bem e relativamente rápido), eu criei o meu próprio inferno particular.

O nome dele? Marketing Digital.

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.