103° DIA: RELATOS DE UMA INQUIETA – “A LOUCURA DO MARKETING DIGITAL” (PARTE 2)

Marketing digital - Crise dos 30

(Parte 2 de 2 – Se você não leu a parte 1, recomendo que leia, do contrário vai ficar completamente perdido ao ler esse aqui… rs)

Um overload de informação

Ah, tem muita informação espalhada por aí! Quando você começa a pesquisar, rapidamente se vê preso num emaranhado de conteúdo que você nem imaginava que existia: você pula de blog pra vídeo, de vídeo para outro vídeo, de outro vídeo pra webinário (tipo uma palestra online, ao vivo), de webinário pra congressos online que, por fim, te mantêm grudado na tela do computador por uma semana inteira, 12h por dia. Você passa a ficar obcecado por um mundo do qual você conhece muito pouco, mas parece bom demais pra ser verdade, então você quer aprender tudo – e de uma vez. E o que não falta é gente querendo ensinar!Marketing digital - Crise dos 30

As informações são tantas e tem tanta gente competindo pela sua atenção, que você acaba se cadastrando em tudo o que é site sobre o assunto (os gurus da internet parecem ser todos tão bacanas, e tão indispensáveis pro seu ingresso nessa nova realidade), e começa a receber informações por e-mail de trocentas mil pessoas, te mandando conteúdo de todo tipo, diversas vezes ao dia, por vezes te oferecendo produtos e cursos, outras vezes apenas te mandando um texto bacana ou um e-mail que você nem consegue entender o porquê foi enviado. Sua caixa de e-mail vira um inferno! Você não dá conta de ler tudo, mas quer ler tudo, então começa a criar diversas pastas para guardar as mensagens que quer ler depois, ou os vídeos que seus gurus dizem que você simplesmente NÃO PODE deixar de assistir! Todo mundo quer te ajudar, e que você quer ser ajudado por todo mundo.

Quando você percebe, está completamente viciado e com um desespero absurdo, pois simplesmente não consegue dar conta de ‘consumir’ tanto conteúdo – é humanamente impossível. Você fica apavorado, pois tem absoluta certeza (na sua cabeça) de que precisa ver e ler tudo – se não fizer isso, todo o resto do mundo estará anos luz na sua frente, pois todos aqueles e-mails são extremamente importantes para que você alcance o seu novo objetivo de fazer a vida trabalhando com marketing digital (coisa que você, até 2 meses atrás, nem sabia que existia, mas que agora vê ali sua única possibilidade de um futuro decente, que te traga realização e felicidade).

Sabia que até existe um nome pra essa síndrome? Em inglês, ela se chama FoMo – sigla para Fear of Missing out (medo de estar perdendo algo), que é a apreensão que se sente pela sensação de que você está perdendo oportunidades, tempo e dinheiro, se não estiver constantemente ligado no que os outros estão fazendo, conectado socialmente, inteirado do movimento e participando de todos os cursos e palestras online que aparecem na sua frente.

Marketing digital - Crise dos 30Foi isso que aconteceu comigo, e essa síndrome se intensificou 1000x quando eu finalmente saí do meu trabalho. Eu estava tão absorvida por esse mundo completamente novo pra mim, e as oportunidades pareciam ser tantas, que eu simplesmente encanei que eu tinha que descobrir uma forma de entrar nessa onda. O fato de eu já não conseguir lidar muito bem com o ócio, de estar lutando conscientemente contra uma depressão, de não estar ganhando nenhum dinheiro e ter aquele medo enorme de ficar sem, somado ao fato de que eu queria e achava que precisava imediatamente dar o primeiro passo rumo à minha nova vida, me deixou presa num redemoinho de informação e conteúdo do qual eu não conseguia sair. É nessa hora que, se você não toma muito cuidado, quando percebe, já comprou uns 10 cursos online e não terminou nenhum deles, pois cada hora aparece um mais imperdível que o outro, mais essencial, mais determinante para seu sucesso profissional, e quando você vê, só está mais enterrado em dívidas e mais perdido ainda do que quando começou.

E tem de tudo, minha gente! Tem muito conteúdo bacana e muito profissional que você sabe que é realmente o que diz ser e que está desenvolvendo um trabalho lindo – a única diferença é que o trabalho é feito através da internet. No entanto, existe uma pancada de outros profissionais que, sabendo que existe uma demanda imensa buscando informações de “como ganhar dinheiro fácil”, “como trabalhar de casa” e “como ganhar dinheiro na internet”, veem nisso uma oportunidade de ouro e saem por aí dando qualquer tipo de conselho idiota pra quem quer, a qualquer custo, entrar nessa área – e muitos ganham muita grana disseminando babaquice por aí. Para entender melhor o que eu estou falando, super aconselho que você leia esse post aqui, publicado no Recalculando a Rota da Alana Trauczynski. Uma visão interessante e divertida de quem está dando os primeiros passos nesse mundo do marketing digital – é hilário, e é a mais absoluta verdade!

Pedir demissão - Crise dos 30

Marketing digital: é pra mim?

Eu vivi tudo isso, cada uma dessas fases e toda angústia de me sentir na obrigação de criar algo digital, ajudando pessoas e, através disso, ganhando meu dinheiro e me sustentando. Eu totalmente comprei a ideia de que a melhor forma de viver o “faça o que você ama” seria aliá-lo ao marketing digital.

Na verdade, eu estava era apavorada com o fato de que eu tinha saído do meu trabalho e não estava ganhando nenhum dinheiro (embora eu tivesse me programado para não precisar trabalhar por alguns meses, mas vai entender o desespero…), então eu colocava minha cabeça pra funcionar, buscando criar projetos online que pudessem ser monetizados no futuro, enquanto me enganava dizendo que eu estava era “querendo colocar em prática o que eu realmente amava fazer” ou “arranjando formas de ajudar as pessoas através do meu conhecimento em determinada área”. Nem preciso dizer que fiquei algumas longas semanas totalmente obcecada, e cada vez mais perdida nessa loucura, não é mesmo?Armadilha Marketing digital

Ainda bem que durou pouco! Eu não sou o tipo de pessoa que se deixa levar inconscientemente por muita coisa, então eu rapidamente percebi a armadilha na qual eu estava entrando: eu não estava sendo autêntica, muito menos buscando fazer algo de coração. Ao me preocupar principalmente com o dinheiro, que chances eu teria de isso dar certo? Eu estava me deixando levar pelos aspectos que eu mais desprezo no marketing digital, por exemplo, o ‘culto aos dígitos’ excessivo que existe entre aqueles que trabalham no mundo online (o negócio é fazer o maior número de dígitos no menor número de tempo, e o grande sonho da galera é fazer o famoso 7 em 7, ou seja, fazer ao menos 1 milhão de reais – 7 dígitos – em uma semana – 7 dias). Ou então, o fato de que grande parte dos marketeiros digitais seguem a mesma fórmula, do mesmo jeito, sem muita autenticidade ou personalidade.

Será que não existe mesmo outra forma de fazer as coisas? Se eu quiser desenvolver o meu trabalho através da internet, será que eu preciso mesmo fazer tudo igual a todo mundo? Será que a única forma é eu perpetuar algo com o qual eu não concordo, aspectos que me deixam desconfortável, simplesmente porque eu encanei que essa é a única forma de eu ter  o estilo de vida que eu quero viver?

Tudo isso somado ao fato de eu ter comprado o meu primeiro curso online no final de 2014 e ter me decepcionado bastante quanto ao modo como a coisa toda foi conduzida, me fez abrir os olhos para duas coisas:

  1. Ponto de exclamaçãoEu não precisava fazer nada que eu não quisesse ou não me sentisse confortável simplesmente porque aparentemente era o que todo mundo estava fazendo. Eu provavelmente não gostaria de trabalhar apenas pelo computador: o ideal, pra mim, talvez fosse usar a internet como um meio, e não como um fim em si mesma.
  2. Eu estava colocando meu foco no lugar errado. Eu não podia continuar me preocupando com grana pois, ao fazer isso, eu estava fazendo tudo errado – de novo. Era como procurar um emprego considerando apenas o salário (e não era exatamente disso que eu estava fugindo?), só que agora dentro do marketing digital.

Nesse momento, eu tive que parar tudo e voltar lá atrás, naquela perguntinha básica: “o que você faria nesse momento se dinheiro não existisse?” E minha resposta foi:

“Eu escreveria um blog sobre essa trajetória que eu estou vivendo, sobre como funciona, na prática, a mudança de vida de alguém que resolve se aventurar por esses caminhos. Se eu estou passando por isso, tenho certeza que muitas outras pessoas também estão, mas a gente só vê as histórias de sucesso depois que elas já são um sucesso. Quem é que fala do dia-a-dia de quem ainda não tem nada nas mãos, mas está tentando encontrar seu caminho?”

Nasce, então, o Crise dos 30. Sem nenhum planejamento de monetização, sem nenhum projeto ou ideia clara do que ele seria: era simplesmente o que eu, do fundo do coração, queria fazer.

Love,

Carol

 

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.