104° DIA: RELATOS DE UMA INQUIETA – “UM BLOG, VÁRIOS TEXTOS E MUITO, MAS MUITO MEDO”

Blog - Crise dos 30

Ter colocado o Crise dos 30 no ar foi a melhor coisa que eu poderia ter feito, em vários aspectos da minha vida. Foi incrível como eu, a maior topeira do mundo com relação à tecnologia e modernidades (pra você ter uma ideia, eu não sei usar Whatsapp direito, não sei colocar o meu e-mail novo no iPhone e não faço ideia de como funciona o tal Netflix – sim, o negócio é tenso a esse ponto), consegui colocar o blog no ar em exatamente 10 dias, com todas as páginas finalizadas e mais 3 posts iniciais. Pra mim, isso foi uma vitória! Até hoje, olho pro site e não acredito que fiz aquilo sozinha, do zero, sem nenhum conhecimento técnico. Claro que não é um site profissional, né? Mas ficou mais bonito que muito blog amador que já vi por aí… rsrsrs

Eu acho essa história importante porque foi a minha primeira grande superação nessa nova fase. Eu fiquei tanto tempo dizendo que queria escrever um blog, mas minha desculpa principal sempre foi que eu não sabia usar WordPress e não tinha ideia de como colocar um site no ar. Ter me comprometido a fazer isso e tornar o Crise dos 30 uma realidade no prazo curto que eu me dei foi, sem dúvida nenhuma, o primeiro de muitos motivos pra comemorar!

blog - Crise dos 30O blog também me trouxe muito mais foco e disciplina. Disciplina para levantar da cama independentemente de como eu estivesse me sentindo, porque eu tinha o compromisso de escrever todos os dias e eu queria fazer o meu melhor. E foco porque me permitiu canalizar minhas energias para fazer algo novo, para criar uma rotina nova, parar testar novas possibilidades e me reconectar com a escrita – uma coisa que eu sempre amei fazer, mas que há tempos não praticava mais. E todos esses benefícios ficaram muito claros pra mim, desde o início.

Nessa mesma vibe, aos poucos, eu fui me libertando daquela síndrome do “Fear of Missing out”. Quando eu realmente me coloquei em movimento, comecei a selecionar melhor aquelas pessoas do marketing digital e do mundo do coaching online que eu realmente queria seguir. Nada de caixa de e-mail lotada! Um belo dia, liguei meu computador e me descadastrei de tudo o que era lista que eu não curtia, mantendo meu cadastro apenas no site daqueles profissionais que eu realmente adoro o que fazem e que, quando recebo um e-mail, sei que é algo que realmente vale muito a pena ler. Foi um grande alívio!!!blog - Crise dos 30

Com o Crise dos 30 no ar, começando a dar seus primeiros passos no escuro, não demorou muito até que eu começasse a receber várias mensagens de amigos e pessoas da minha família elogiando meus textos e as escolhas que eu estava fazendo. Gente que me agradecia, pois tinha se emocionado com um post específico, ou porque tinha tomado uma decisão importante depois de ler algo que eu tinha escrito. Gente que me dizia que estava repensando vários aspectos da vida e que me tinha como exemplo e inspiração. Até que, do nada, pessoas que eu nunca tinha visto na vida começaram também a me mandar e-mails, mensagens, a me chamar no Facebook para comentar algo sobre o blog, para elogiar algum texto ou me agradecer pela minha iniciativa e coragem em me expor da forma como eu estava fazendo. Com tudo isso, eu fui sentindo cada vez mais que eu estava no caminho certo: com dinheiro ou sem dinheiro, era isso que, naquele momento da minha vida, eu sabia que precisava fazer.

Lápis de cor - Crise dos 30Comecei a pensar que, talvez, fosse uma boa ideia começar a ouvir o que várias pessoas estavam me dizendo e realmente me dedicar a escrever um livro. E por que não me formar coach e mergulhar de cabeça nessa área pela qual eu tinha tanto interesse? O meu futuro era uma página em branco, e eu estava doida pra começar a colorir.

Mas aí vem o medo.

Medo que dá as caras no formato de em uma voz que fica o tempo todo falando no seu ouvido:

“Mas é sério que você tá pensando em mudar de carreira agora? Você vai mesmo tomar uma atitude concreta, não tava só falando da boca pra fora? Você acha mesmo que vai conseguir ser uma profissional tão competente em outra área quanto é hoje no Turismo? Pensa bem, heim?! Você vai ter que estudar pra caramba, começar do zero, vai gastar a maior grana, sem falar no tempo que isso tudo vai levar… E se você nunca conseguir fazer isso vingar?”

É incrível o que o medo não faz, né? Ele nos pega lá em cima e nos joga de cara no chão, em questão de segundos. E o pior? Mesmo que seja apenas o nosso medo falando, nós geralmente damos a ele o nome de razão, e aí, de repente, tudo fica mais sério, e o que ele fala passa a ter um peso muito maior do que deveria. Afinal de contas, quem é que, conscientemente, daria tanta importância assim ao medo? Acontece que quando o tratamos como “razão”, a coisa muda de figura!

Medo - Crise dos 30

Semana passada assisti uma entrevista da Liz Gilbert (autora do livro Comer, Rezar, Amar e uma das pessoas que mais admiro), onde ela falava sobre o medo. Ela dizia que a gente precisa saber que o medo vai estar sempre ao nosso lado – sempre! –, mas cabe a cada um de nós determinar a importância que daremos pra ele:

“O medo vai junto no carro, é verdade, mas o lugar dele é no banco de trás. Ele não tem o direito de escolher as guloseimas durante a viagem, nem os CDs que serão colocados no rádio. Ele não senta no banco da frente e, o principal: ele não dirige. Saiba que o medo existe, que ele está do seu lado. O respeite, o valorize, mas não deixe que ele seja o responsável por tomar as decisões.”

O que eu fiz naquela época talvez tenha sido uma decisão tomada com o medo no banco da frente e trocando a música, ou talvez tenha sido mesmo uma decisão prudente – não sei: com receio de investir uma baita grana numa formação em coaching pra valer, eu me matriculei em um curso online de uma universidade americana, onde eu aprenderia os fundamentos do coaching. Pra mim, essa seria uma ótima forma de me aproximar desse mundo e entender melhor os conceitos dessa profissão que tanto me fascinava, mas sem ainda me comprometer 100% com aquilo tudo.

Medo ou razão, não sei. Foi um passo tímido, confesso, mas foi um passo e, pra mim, apenas uma coisa importava: eu sentia que eu já não estava mais parada no mesmo lugar.

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.