105° DIA: RELATOS DE UMA INQUIETA – “COACHING DÁ DINHEIRO FÁCIL?”

coaching da dinheiro - Crise dos 30

Eu comecei a fazer o meu curso de Fundamentos de Coaching online e simplesmente amei! A cada módulo que eu completava eu me sentia mais e mais conectada com a filosofia e metodologia do coaching, e aquele sentimento de “eu sempre fui coach, mas não sabia” foi se tornando cada vez mais forte em mim.

Como em qualquer caso de transição – ou mesmo de primeira escolha – de carreira, uma das coisas que a gente mais se preocupa em pesquisar é o mercado. Será mesmo que tem mercado para coaching no Brasil? Em locais como Europa e Estados Unidos eu sei que tem bastante demanda, mas a oferta também é muito maior. Para uma pessoa como eu, que não tinha muito interesse em trabalhar com business ou executive coaching, mas sim com life coaching, será mesmo que seria algo viável?

Eu pesquisei, e fiquei apavorada com o que eu vi. Eu percebi que aquela desconfiança que eu tinha na época em que eu estava passando pelo processo de coaching em grupo era mesmo verdade: tinha muita gente vendo o coaching como a galinha dos ovos de ouro, sendo a grande possibilidade de unir duas coisas que são o sonho de muita gente:

  1. Liberdade de trabalhar de qualquer lugar e fazer seu próprio horário;
  2. Fazer muito dinheiro com pouco esforço.

coaching da dinheiro - Crise dos 30Eu digo pouco esforço, pois o coaching ainda não é uma profissão regulamentada, então você teoricamente não precisa nem mesmo ter formação alguma pra atender (embora eu realmente não veja como alguém possa achar isso uma boa ideia). Para aqueles que buscam estudar, o investimento financeiro é alto, mas em contrapartida, o tempo investido na formação em si é mínimo: tem curso de um dia sendo vendido por aí, dizendo ser possível formar coaches em apenas algumas horas – acredite se quiser. Aí você vai pra internet e pira o cabeção com os vááááááários coaches anunciando seus milhares de dígitos feitos em apenas alguns dias. Qual é a mensagem que essa combinação toda passa?

INVISTO UMA GRANINHA, NÃO VOU PRECISAR ESTUDAR QUASE NADA, CRIO UM PROGRAMA DE COACHING DE QUALQUER COISA E DIVULGO NA INTERNET, TRABALHO POUCO E FICO RICO!!!

coaching da dinheiro - Crise dos 30

Lendo isso, imagino que você não vai se assustar quando eu disser que existe uma quantidade inimaginável de pessoas que estão vendo no coaching a maior oportunidade de suas vidas, e apostando todas as suas fichas nesse ramo sem nem saber direito o que é. Como eu ouvi uma coach que respeito bastante falando uma vez: “Tem muita gente fazendo formação em coaching, mas que precisava mesmo era passar por um processo de coaching”. E é a mais pura verdade.

Por conta disso, eu desanimei. Na minha cabeça martelava o tempo todo o mesmo pensamento: “Não é desse jeito que eu quero fazer, não e com essas pessoas que eu quero estar e não é isso que eu quero ser. Se for pra entrar nessa área, eu quero estudar muito e me tornar uma coach nada menos do que excelente! Eu quero ter conhecimento, técnica e adquirir habilidade nessa nova profissão, não quero ganhar dinheiro dormindo. Eu quero investir pesado, eu quero me dedicar, eu quero saber o que eu estou fazendo!”.

coaching - Crise dos 30No meu coração eu sentia que o coaching era realmente a junção de tudo o que eu acreditei a minha vida inteira, mas até algum tempo atrás, nem sabia que existia uma profissão pra isso. Eu ouvi de algumas pessoas que essa é mesmo a minha vocação, e eu sentia da mesma forma, mas eu não queria ser confundida com a multidão que estava apenas atrás da grana “fácil” (que eu nem preciso entrar no mérito de que não existe, né? Dinheiro fácil é ilusão, e quem quer dinheiro fácil SEMPRE acaba perdendo dinheiro), e por causa disso eu travei. Eu duvidei da minha capacidade de me tornar tão boa quanto eu queria ser, e tão boa quanto os meus potenciais futuros clientes mereceriam que eu fosse. Por um tempo, eu coloquei toda a minha atenção no lado do coaching que eu desprezava, e claro que tudo o que eu consegui ver ao meu redor eram os exemplos que eu não gostava de ver.

Até que um dia eu esbarrei com esse texto aqui (desculpe, está em inglês), falando exatamente sobre todas as minhas dúvidas com relação ao coaching, mas me trazendo uma visão muito mais positiva sobre o assunto. Esse texto segue bem a linha daquele vídeo da Cintia Dumiense, no Continue Curioso (lembra que publiquei esse vídeo aqui?), que diz que o mercado sempre tem espaço pra quem é bom no que faz.

O MERCADO SELECIONA. Eu não estava pensando em trabalhar como coach visando a ilusão do dinheiro fácil: eu queria apenas estudar e me especializar em uma área na qual eu ainda não tinha nenhum conhecimento técnico ou acadêmico, para a partir daí colocar minhas maiores qualidades e talentos em uso. Viver disso seria apenas uma possível consequência, dependendo do quão comprometida eu estivesse em ser o melhor que eu posso ser.

Me conectar com esse pensamento me trouxe de volta pro meu “rumo certo”, onde eu parei de me preocupar com o que os outros estavam fazendo e passei a me concentrar apenas em ser o melhor que eu poderia ser. Se me incomoda ver tanta gente perdida e despreparada por aí clamando ser coach, então que eu seja verdadeiramente a mudança que eu quero ver no mundo: que eu seja diferente, que eu faça diferente.

Foi com isso em mente que eu, em julho de 2015, comecei a minha formação em Life Coaching pela Worklife Solutions, aqui na Nova Zelândia. Eu tinha muito medo de meu inglês não dar conta do recado (olha mais uma das minhas maiores crenças limitantes aí, galera!), mas ao ter em mente que eu queria me tornar o melhor que eu poderia ser, eu pensei: se eu quero dar o meu melhor e fazer diferente, então eu preciso fazer uma formação que verdadeiramente me desafie, e me formar numa instituição neozelandesa vai me dar exatamente o que eu procuro. Vai ser muito mais desafiador do que fazer uma formação online e em português, então é dessa forma que eu preciso me apresentar para essa nova fase: com ações concretas rumo ao futuro que eu quero pra mim.

E que assim seja.

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista residente em Auckland, gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito (contanto que a morte não seja o assunto da rodinha) e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.