109° DIA: RELATOS DE UMA INQUIETA – “AO INFINITO E ALÉM!”

Ao infinito e além - Crise dos 30

Eu não poderia estar mais feliz comigo mesma do que eu estou hoje!

Meses atrás, quando eu comecei a escrever o Relatos de Uma Inquieta (esse aqui foi o post onde falei pela primeira vez sobre essa ideia, você se lembra?), meu objetivo era colocar um pouco mais de ordem aqui no Crise dos 30 ao recapitular minha história e os momentos mais marcantes dela, para que quem não me conhece (e até mesmo pra quem me conhece desde criancinha) pudesse entender melhor de onde eu vim, as decisões que tomei, as dificuldades que passei e os momentos que vivi. Eu sentia que eu não estava conseguindo dar o tom que eu queria ao  Crise dos 30 contando minha história apenas à partir do momento presente, e percebi que o que estava faltando era contar como foi que eu cheguei até o momento atual, onde pedi demissão do meu emprego (caramba, já faz 5 meses!) e me lancei nessa jornada do autoconhecimento, em busca de um trabalho e um estilo de vida que fizessem mais sentido pra mim.

No entanto, o Relatos de Uma Inquieta me trouxe muito mais que isso. Ele foi (por muito tempo sem que eu percebesse) o meu próprio processo de cura e aceitação. Relembrar e registrar a minha história e o que, sob a minha ótica, foram os momentos mais marcantes e determinantes dela (o que significa que esse relato traz, obviamente, uma visão totalmente parcial), foi o diferencial desse meu processo, desse tempo que me dei para me reconectar comigo mesma e pra voltar a ficar em paz com meus pensamentos e sentimentos, ou seja, para voltar a ficar em paz comigo.

Linha de chegada - Crise dos 30

Eu sou uma pessoa que vive com base em prazos e deadlines. Para todo e qualquer projeto ou sonho que eu tenho na minha vida, eu estabeleço um prazo, pra mim mesma, que é o que me dá um senso de direção e comprometimento com aquele plano. Com o blog não foi diferente. O Crise dos 30 me força a escrever, todos os dias, querendo ou não, inspirada ou não, pois esse foi o compromisso que estabeleci comigo mesma (e com vocês) dentro desse prazo inicial de 222 dias. Quando comecei a escrever o Relatos de Uma Inquieta, fiz uma programação de posts (que foi alterada dezenas de vezes) sobre tudo o que eu queria falar, e o meu prazo era terminar essa sequência de textos até o dia 05 de outubro, um dia antes da minha viagem. Eu me dei esse prazo simplesmente porque eu sabia que seria um desafio muito grande continuar escrevendo essa história depois que eu chegasse ao Brasil. Além do mais, eu não queria ficar presa no compromisso de relatar o passado num momento que seria o que eu considero o meu ‘primeiro passo em direção ao futuro’. Era como se, inconscientemente, eu quisesse colocar um ponto final no passado para poder me lançar, sem amarras, rumo ao futuro e à oportunidade fantástica que eu teria de viver, pela primeira vez, uma prévia do estilo de vida que eu defini que é o que eu quero pra mim.

Escrever - Crise dos 30Eu me comprometi e me entreguei 100% a esse plano, mas executá-lo foi um baita desafio! Foi interessante observar todas as vezes que eu resisti a escrever determinado texto, pois o assunto era difícil demais de trazer à tona. Me perceber procurando por distrações, colocando toda e qualquer tarefa na frente, como se fossem prioridades, a fim de evitar sentar de frente ao computador e reviver aquela confusão de lembranças, dores e toda a culpa que eu carregava. Mas eu tinha estabelecido um prazo, e por ter muito claro pra mim que se eu deixasse aquele prazo passar, eu provavelmente encontraria todo tipo de desculpas para não retomar o Relatos de Uma Inquieta, eu fui em frente.

Nesse processo, eu chorei, eu dei muita risada, eu me frustrei, eu duvidei se deveria mesmo me abrir sobre determinados fatos, eu escrevi textos inteiros pra depois jogá-los fora.

E foi nessa batalha interna que eu encontrei o perdão. Eu me perdoei por coisas que eu nem tinha claro pra mim que precisavam ser perdoadas. Eu relembrei episódios dos quais eu já tinha esquecido há muitos anos, e essas lembranças me libertaram de toda a culpa que eu sentia.Crise dos 30 - Infancia

Sabe aquela história do “siga o seu coração”? Eu segui, sem saber exatamente o que eu estava fazendo. Num primeiro momento, mais preocupada com o fato do meu texto estar agradando ou não, e depois, passando a questionar o sentido disso tudo ao perceber que muita gente só estava mesmo a fim de saber da fofoca, de matar a curiosidade sobre a vida alheia. Mesmo cheia de dúvidas, eu continuei, pois eu sentia que eu precisava finalizar o que eu tinha começado – e eu estava certa.

No final das contas, o Relatos de Uma Inquieta sempre foi pra mim, pra ninguém mais. Se ajudou ou inspirou alguém, foi apenas um efeito colateral de algo que eu precisava fazer por mim mesma. Hoje eu sei disso.

Além de me livrar de culpas e me trazer o perdão, ele se tornou a minha fonte de força e coragem para encarar o que viria depois, reforçando a minha crença de que NADA ACONTECE POR ACASO. Ao relembrar a minha própria história, eu aprendi que eu posso confiar ao ver, claramente e através das minhas próprias palavras, que todas as vezes que eu não pude controlar, a vida me surpreendeu, e me trouxe experiências e pessoas fantásticas e essenciais, que eu não teria conhecido se o meu plano inicial tivesse dado certo. SIM, A VIDA DÁ SEU JEITO, e eu sou grata por ter aprendido essa lição e por encontrar nela as minhas forças pra seguir em frente, sorrindo e sonhando.

Viagem - Crise dos 30

Hoje é dia 05 de outubro, e eu estou publicando esse que será o último post do Relatos de Uma Inquieta: prazo cumprido com sucesso! O Desafio dos 222 Dias continua, claro, mas à partir de agora, estamos todos juntos no momento presente. Embarco amanhã para os Estados Unidos, rumo a uma experiência que eu nunca tive antes: vou participar de um evento de Coaching de Alta Performance durante quatro dias, onde ficarei cerca de 10 horas por dia totalmente imersa em conteúdo e aprendizado que eu sei que serão fundamentais para essa nova fase da minha vida. E eu tô feliz! Ansiosa, mas de braços abertos para o que o futuro me reserva. Preocupada com a questão da grana, sabendo que essa viagem representará um gasto que talvez fosse prudente evitar agora. Mas o que tá feito, tá feito, e agora só me resta assinar embaixo da decisão que tomei lá em abril, há exatos 5 meses e 5 dias atrás.

Depois do evento, vou passar quatro dias em São Francisco, cidade que vou visitar pela primeira vez e que estou super empolgada pra conhecer! Depois disso, Brasil! Muito amor, muita família, muitos amigos, além de – claro! –  muito trabalho, estudo e dedicação. Em breve devo abrir vagas para os primeiros programas de coaching aqui do Crise dos 30, e claro que vou avisar a vocês em primeira mão.

Crise dos 30 - Estilo de vida

Esses próximos 4 meses serão, literalmente, o meu estilo de vida ideal colocado em prática. Morando parte do ano na Nova Zelândia, parte do ano no Brasil, viajando um pouquinho entre um lugar e outro, estudando, trabalhando, e curtindo muito as pessoas que eu mais amo. Pena que ficarei tanto tempo longe do meu gaúcho, afinal, somos de estados diferentes e, para podermos curtir nossas famílias, precisaremos ficar um tempo separados, mas esses detalhes a gente vai ajeitando pelo caminho…

***

As coisas não aconteceram como eu planejei. Muito pelo contrário. Alguns poderiam mesmo dizer que deu tudo errado (afinal, deixo a Nova Zelândia amanhã sem casa e sem emprego, sem nada à minha espera para quando eu voltar). Mas eu não acho que deu tudo errado. Na minha opinião, deu tudo certo.

Nesse momento eu estou, talvez como nunca antes, bastante confortável com minha falta de respostas. Sigo mais leve, pois deixei partes da minha bagagem pelo caminho – coisas e pessoas das quais relembrei com muito amor e carinho, mas que estava pesado demais continuar trazendo comigo. Agora, com a bagagem mais leve, já é bem mais prazeroso seguir em frente. Obrigada, Relatos de Uma Inquieta Crise dos 30 - Blink

E que venha o futuro! Ou como diria meu querido Buzz Lightyear: “Ao infito e além!”

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.