136° DIA: E EU PERDI UMA BELA GRANA…

Perdi uma bela grana - Crise dos 30

“Se, num passe de mágica, despertássemos vivendo o nosso sonho, seríamos imediatamente consumidos por ele. Temos de nos construir primeiro, fortalecer nossos “músculos” mentais e espirituais, antes de transformar nossos sonhos em realidade.”

Esse é um trechinho do livro que ganhei semana passada e estou lendo, chamado O Poder da Coragem. Pra ser bem sincera, não tô curtindo muito a leitura, não… Livros que trazem dizeres como “o sucesso será a sua vingança” não tem nada a ver com minha forma de pensar, e frases como essa, por si só, já me faz perder 80% do meu interesse pela leitura. Ainda assim, claro que existem passagens bastante interessantes no livro, e esse trecho que selecionei foi um dos que mais me chamou a atenção até agora.

O autor estava falando sobre o fato de que 90% das pessoas que ganham na loteria perdem, se não todo o dinheiro, grande parte dele. Ele dizia sobre a necessidade que nós temos de evoluir junto com os nossos sonhos, junto com nossa realidade, para assim poder vivê-la de forma plena; do contrário, somos tomados pelo despreparo.

Isso me fez pensar. Principalmente vindo de uma família onde boa parte das pessoas passa ao menos uma vez por semana na lotérica, e coloca naquele jogo toda uma esperança de dias melhores, de solução para a crise, de uma vida sem problemas.

Cassino - Crise dos 30Eu não tenho nada contra quem curte jogar na loteria. Eu mesma já joguei algumas poucas vezes, quando a Mega Sena acumulou em valores tão exorbitantes que nem me lembro mais. Hoje, moro num país onde, no último ano, os gastos estimados com cassinos, máquinas de jogos (localizadas fora de cassinos), loterias e apostas em corridas somaram mais de $2091 milhões de dólares (e olha que o país tem apenas 4.5 milhões de habitantes). Sendo assim, claro que hoje esse é um assunto que está muito mais no meu radar do que jamais esteve antes.

Ano passado, quando comecei a acompanhar o trabalho do Brendon Burchard (aquele responsável pela High Performance Academy, o evento que participei mês passado, na Califórnia), ouvi dele uma frase que tem feito parte da minha vida desde então:

“Existem duas formas de algo verdadeiramente mudar na sua vida: ou algo externo acontece, ou algo novo sai de dentro de você”

Esse pensamento me deu um start, foi como um soco na boca do estômago. Afinal, o que é que eu estava esperando acontecer pra mudar o que eu achava que precisava ser mudado na minha rotina? O que é que eu estava esperando acontecer para deixar a tristeza permanente e a infelicidade de lado? Logo eu, que sempre estufei o peito pra falar sobre a importância de “tomarmos as rédeas da própria vida”, de acreditarmos nos nossos sonhos, de não sermos conformados com o que não nos satisfaz, estava ali, entregue à inércia e à ilusão de que algo externo aconteceria na minha vida e me traria a libertação, ou a permissão para que eu pudesse fazer algo por mim mesma.Viver o sonho - Crise dos 30

Essa frase do Brendon Burchard me deu o clique que faltava para que eu tivesse a coragem e a determinação de tentar algo novo. Eu não vou entregar minha vida e meu futuro para a possibilidade remota de ganhar na loteria (ou de qualquer outra coisa externa acontecer). Mesmo porque, se eu não percorrer todo o caminho que preciso percorrer, e não evoluir junto com os meus sonhos, é bem provável que eu perca todo o dinheiro e volte ao lugar onde estou hoje.

Isso já aconteceu comigo. Eu saí de um divórcio sem casa, sem carro, mas com uma graninha no banco. Investi parte disso para ir para a Nova Zelândia, e o restante simplesmente se foi. Alguns vários mil reais que sumiram, como num passe de mágica. Não gastei, não fiz com esse dinheiro o que eu queria fazer e, hoje, por diversas razões, não existe um centavo sequer na minha conta.

Mas não tenho raiva. Às vezes, bate uma tristeza, uma sensação de impotência e de ter sido besta de seguir conselho de quem só queria me ajudar, mas não tinha as mesmas prioridades que eu. Por outro lado, sei que era uma lição que eu precisava aprender. De um único acontecimento, tantas lições surgiram, de todos os lados. E eu espero ter aprendido, ou melhor, estar aprendendo.

Hoje não espero por milagres. Não espero pela grana repentina que vai cair na minha conta, e não tenho a menor ilusão (ou vontade) de viver uma vida sem problemas. Sei que enquanto eu não aprender as lições que tenho que aprender, vou constantemente encontrar o caminho de volta pra onde eu estava, com a mesma velocidade na qual tento sair dele. Não adianta querer cortar caminho. 

Sigamos em frente! Um passo de cada vez.

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.