150° DIA: O DIA QUE EU PAREI DE ASSISTIR TV – PARTE II

Parar de assistir televisão - Crise dos 30

(A primeira parte desse texto foi publicada no 138° dia do Desafios dos 222 Dias. Para ler, clique aqui)

A resposta veio quando eu comecei, ainda que de forma totalmente leiga (não que isso tenha mudado muito hoje em dia) a entender o conceito do Mindset Wheel – ou Roda das Mentalidades -, sobre a qual escrevi aqui e sugiro imensamente que você leia. Através desse conceito, que naquela época eu nem sabia que tinha nome (e que, diga-se de passagem, existem vários nomes diferentes pra essa mesma teoria), eu entendi uma coisa básica: eu não posso mudar o mundo, mas posso mudar a forma como eu me sinto em relação a ele.

Isso me fez lembrar de um gerente que tive em um dos meus primeiros estágios na área de Turismo, mais de dez anos atrás. Eu não me lembro o contexto dessa conversa que tivemos, mas nunca esqueci o que ele me disse: “Nós não podemos mudar ninguém. Está insatisfeita com alguém ou alguma coisa? Então você só tem uma coisa a fazer: mudar a si mesmo.”

Óbvio, né? Mas eu tinha 19 anos, e essa foi a primeira vez que alguém me disse algo desse tipo, com tanta firmeza e clareza – e aquilo fez tanto sentido pra mim! Aí, uma década depois, quando assisti o vídeo do Brendon Burchard e conheci a Roda das Mentalidades, eu imediatamente lembrei dessa conversa que tive com o meu gerente.

“Estou me sentindo infeliz, desesperançosa e sem nenhuma confiança no mundo e nos seres humanos? Então é sinal de que eu preciso mudar alguma coisa em mim mesma!”.

Ok, mas o que exatamente eu preciso mudar?

Eu ainda não tinha clareza sobre isso, mas comecei a ouvir de muita gente que eu admirava e que tinha uma mensagem que me inspirava que eles não assistiam televisão. Isso levantou uma anteninha: “Será que a televisão tem alguma coisa a ver com a forma como eu estou me sentindo?”. Comecei a me observar e percebi que eu estava me alimentando de notícias ruins e tragédias dia após dia, sem parar. Se a primeira coisa que eu fazia ao acordar era ligar a tv e assistir o jornal, como é que eu queria começar o dia empolgada e feliz pelas oportunidades que eu teria nas próximas 24 horas? Se eu, de alguma forma, tinha desenvolvido uma crença de que o mundo não tinha mais jeito e de que nossa estrutura como sociedade está essencialmente e permanentemente errada, de que forma me alimentar de fatos que apenas comprovam isso me fariam ver o outro lado da moeda?

Roda das Mentalidades
Roda das Mentalidades

Faça o teste: imagine essa minha crença sendo colocada na Roda das Mentalidades e gire a roda. Que tipo de pensamentos você acha que essa crença gerava? Esses pensamentos me levavam à ação de ficar em frente à televisão, me trazendo sempre as mesmas experiências, e reforçando qual crença? A minha crença de que o mundo não tem mais jeito, claro!

Agora vamos pensar diferente: se eu opto por desligar a televisão, não acessar sites de notícias ‘mais do mesmo’, não comprar jornal, e decido me alimentar com exemplos do que há de bom na humanidade através de vídeos no Youtube, livros, textos e blogs de gente que, como o Brendon Burchard diz no vídeo, “são assim como você, apenas tentando fazer o seu melhor e viver seu dia-a-dia”, o que será que vai acontecer?

Aliás, me reconectar com esse pensamento fez toda a diferença pra mim: a maioria absoluta das pessoas são assim como eu e você, e estão apenas vivendo suas vidas da melhor maneira possível, estudando, trabalhando, cuidando de suas famílias, sustentando seus filhos. Elas querem o bem, fazem o bem e não o mal, dão o seu melhor. Os terroristas não são a maioria, os bandidos não são a maioria, os políticos e empresários corruptos não são a maioria: eles apenas têm mais ibope, só isso.

Aí você pode me dizer: mas você optou então por se alienar de tudo o que existe de mau no mundo e fingir que a vida é cor de rosa? Não, de jeito nenhum. Eu apenas decidi colocar o meu foco e a minha atenção no que me faz bem e no que me dá esperança, e quer saber o melhor? Uma vez que eu tomei essa decisão, os exemplos positivos que antes eu não via floresceram à minha volta! Eu apurei o meu olhar e passei a enxergar coisas que sempre estiveram ali, mas que por causa da minha visão turva, eu não via. 99,9% das pessoas são boas e estão dispostas a ajudar. Quem se aventura num estilo de viagem mochileiro diz isso, e minha experiência também me diz que essa é a mais pura verdade.

Russell Brand Imagem: metro.co.uk
Russell Brand
Imagem: metro.co.uk

Sabe de que forma eu, naquela época, me mantinha informada de um jeito que me fazia bem? O canal do YouTube do ator Russell Brand, onde ele apresenta o The Trews, era a minha opção favorita. Os vídeos mostram ele, um britânico, dentro de seu quarto, trazendo a visão lado B do que é noticiado pela mídia tradicional, aquela que forma nossa opinião sem que a gente conscientemente perceba. O nome do programa é The Trews (The True + News, ou As Notícias Verdadeiras), e por muito tempo era ali que eu buscava me informar sobre os acontecimentos, principalmente ligados à política mundial e ao terrorismo, de uma forma que tinha muito mais a ver com o que eu acredito. É uma pena que em agosto desse ano ele tenha dado uma pausa nos vídeos, pois o que ele fazia era algo que eu considero de extrema importância para a população mundial (pra quem entende inglês, super aconselho que dêem uma olhadinha no canal!).

Mas assim como ele, existem outros. Nessa discussão eterna entre Paris x Mariana, ao passo que não falta gente criticando que a mídia não dá a devida importância às catástrofes que acontecem em nosso próprio país, também não faltam páginas na internet que estão empenhadas em mostrar o que de fato acontece em Minas Gerais e no Espírito Santo (Jornalistas Livres, Atingidos pela Vale, Clarice Macieira, entre inúmeros outros). Você sabia que já existe uma campanha de crowdfunding onde todos nós podemos ajudar a uma equipe de cientistas voluntários que estão fazendo um relatório independente sobre o impacto do rompimentos das barragens, que será de domínio público e totalmente isento de interferências do governo ou grandes corporações? E o melhor, que quase 50% do valor necessário para a pesquisa já foi arrecadado através de doações da população? Para entender melhor e também para ajudar, basta clicar aqui.

As pessoas são boas! No entanto, enquanto estivermos optando por alimentar nossa mente apenas com o que há de pior no mundo, nossa visão continuará muito turva para conseguirmos enxergar.

Gente, vamos combinar: na era da informação, só se alimenta de Datena e Jornal Nacional quem quer, né?

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.