154° DIA: EU, CAROLINE, 30 ANOS – E CHEIA DE CABELOS BRANCOS…

Coruja brava - Crise dos 30

Eu ainda lembro o dia em que encontrei meus primeiros fios de cabelo branco. Fios, no plural mesmo, porque comigo não teve muito aquela fase pra se adaptar: quando eles vieram, já trouxeram companhia.

No começo (coisa de um ano atrás), a diversão do Henrique era deitar minha cabeça no colo dele, pegar uma pinça e ir tirando os fios brancos, um por um. A contagem que à princípio era coisa de 4 ou 5, não demorou muito já estava em 10, e uns 2 ou 3 meses depois eu aboli a prática da pinça: os fios já estavam sendo contabilizados na casa das dezenas e eu simplesmente me negava a continuar contando. Era tortura demais!

Eu tinha 29 anos e estava em negação, aquela fase que a gente simplesmente não acredita que já vai fazer 30 anos, não se sente com 30 anos, e simplesmente se nega a dizer que tem 30 anos. E a chegada triunfal dos 3.0 acontecendo justamente na mesma época dos fiozinhos indesejados, só me fazia sentir ainda mais velha.

Se bem que, pra falar a verdade, com isso ainda foi fácil de lidar. O problema foi quando descobri cabelo branco em partes menos tradicionais… Aí eu declarei fundo do poço, e sem volta!!! É triste demais né, gente, vamos falar sério!!!

Como assim, se ainda ontem eu era uma adolescente?

Recusar - Crise dos 30Em dezembro do ano passado eu fui cortar meus cabelos. A intenção era apenas cortar, mas aí começou a pressão: “Menina, você precisa tingir! Duvido você aguentar mais dois meses com o cabelo assim!”. Os fios brancos realmente estavam super visíveis, principalmente na franja. Se fizesse uma escova então, parecia que tinha feito luzes, de tão prateado que ficava!

Acontece que eu não queria tingir, e fiz um acordo comigo mesma de que eu ia esperar até a data do meu aniversário de 30 anos. A razão pra isso? Eu não tinha nem vergonha de admitir: eu me recusava a TER QUE tingir o cabelo enquanto ainda estive na casa dos 20!

eu fiz 30, e alguma coisa mudou em mim. Parece que no dia do meu aniversário, uma magia aconteceu e eu passei a aceitar, do dia pra noite, a minha nova idade – e com isso, o meu novo cabelo. Já se passaram exatos 8 meses, e eu até hoje ainda não me rendi aos salões de beleza, nem aos shampoos tonalizantes, como minha mãe insiste em me lembrar. Hoje em dia, eu olho no espelho e dou risada. Ainda não consigo acreditar que eu JÁ tenho uma quantidade absurda de cabelos brancos, mas na real eu acho engraçado! Sei lá porque, mas eu acho engraçado…

Hoje eu me sinto mais livre, mais tranquila com quem eu realmente sou. Não quero pintar o cabelo e não vou pintar, e tá tudo bem. Não me sinto feia, não me sinto uma extra terrestre entre minhas amigas. Talvez daqui um tempo, se a situação piorar muito (o que parece que não demora a acontecer) eu mude de ideia, mas por enquanto, tô fazendo farra de mim mesma.

Aliás, tô me dando conta agora de outra coisa que aconteceu recentemente. Eu estava enlouquecida dizendo que ia fechar a boca e me enfiar na academia (algo que odeio) todos os dias durante a minha temporada aqui no Brasil. No condomínio dos meus pais tem academia, então essa seria a oportunidade perfeita! Passei semanas usando apenas vestidos, porque não queria encarar a verdade ao tentar entrar numa calça jeans ou em uma das minhas bermudas. Aí, semana passada, quando fui dar uma organizada nas minhas roupas, me peguei dizendo:Bola de sabão - Crise dos 30

“É, trouxe várias camisetinhas na mala que não tô usando porque meus shorts não me servem. Várias tão lindinhas, que queria tanto usar! Quer saber? Vou mesmo é comprar um short novo, um – ou dois, sei lá! – números maiores. Chega desse stress de ter que caber a qualquer custo na roupa antiga! Nesse momento da minha vida, tenho coisas muito mais importantes com o que me preocupar!”

Eita! Que estranho ouvir isso da minha própria boca… Alguma mágica deve mesmo ter acontecido quando assoprei aquela velinha…

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.