170° DIA: VIAJAR TRABALHANDO – SERÁ QUE ROLA?

Viajar trabalhando - Crise dos 30

Aaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhh!! Não tô curtindo essa história de ficar escrevendo aqui pro Crise dos 30 dia sim, dia não… dia não, outro também não…

Caracas! Tô relaxada!

Desse jeito o Desafio dos 222 Dias vai acabar se tornando o Desafio dos 189 dias e meio

Mas olha, vou te dizer a verdade: tá meio complicado de me adaptar a essa nova rotina. A cada dia que passa eu tenho uma impressão mais clara de que esse negócio de misturar trabalho com viagens não funciona pra mim. Sabe por quê? Pelo simples fato de que, quando eu tô viajando nesse esquema assim, de ir pro interior, fazer churrasco, ficar batendo papo em família e não ter hora pra dormir nem pra acordar, eu não tenho vontade absolutamente nenhuma de trabalhar. Nem de escrever. Nem de nada. Eu só quero poder tirar um cochilo à tarde e me preocupar apenas com que horas vou pra sorveteria ou dar uma voltinha na praça, manja esse esquema?

Trabalhar viajando - Crise dos 30A questão é que há meses que eu acompanho o trabalho de pessoas que vendem a ideia do “Olhem pra mim, tô aqui no lugar tal dando uma palestra e  aproveito para escrever meu livro novo todas as manhãs. À tarde curto uma piscina, respondo uns e-mails e tomo um drinque. Tô trabalhando ou tô de férias? Não sei!” e eu sempre me encantei com essas histórias, pareciam boas demais pra ser verdade – e realmente são, né?

Aí decidi dar um giro 180° na minha vida e correr atrás desse estilo de vida mais flexível e mais “portátil”, e o que tô descobrindo é que…

Cara, talvez ele não seja pra mim.

Eu acho que eu valorizo a sensação de estar em FÉRIAS muito mais do que poderia imaginar. Estar totalmente de férias. Sem nenhuma preocupação. Sem computador, sem telefone, sem horários e nem compromissos.

Não tô dizendo que esse estilo de vida é uma merda, nada disso. Só tô dizendo que os desafios começam logo de cara, a cada vez que você precisa decidir o que e em que momento do dia fazer. E eu sei que ainda não cheguei no nível de equilíbrio que preciso para lidar com um estilo de vida desses sem me martirizar o dia inteiro por não estar trabalhando quando estou passeando, ou por não estar batendo papo com os amigos e família quando estou trabalhando.Insegurança - Crise dos 30

Acho que o que me incomoda é a sensação de não relaxar nunca, a ideia de que sempre existe alguma coisa que eu deveria estar fazendo invés daquilo que eu decidi fazer. É aquela semana que você não tá 100% trabalhando e estudando, mas também não tá de férias, aí não consegue se dedicar direito nem a uma coisa, nem a outra, simplesmente porque quer fazer tudo ao mesmo tempo, e quer fazer tudo muito bem.

Eu tenho problema com essa coisa de ócio, né? Já falei sobre isso aqui, sobre o fato de que eu não me dou folga. Então não sei se esses probleminhas de adaptação são comuns ou se só acontece com a minoria, mas tô falando sobre isso porque é exatamente o que eu tô vivendo agora.Sono - Crise dos 30

De qualquer forma, não é algo que me tira o sono e nem que chega a me incomodar. Acho que tô bastante consciente com relação a isso: tento me cobrar o menos possível, e me observo. Observo como eu me sinto, observo as minhas vontades e motivação (ou falta dela) pra fazer as coisas, tanto as que são puramente lazer, quanto as que são relacionadas ao meu trabalho. Presto atenção nos sinais do meu corpo, me permito dar o cano no post de sábado do Crise dos 30 porque tô com muito sono acumulado da viagem e preciso descansar pra não ser a paulista sonolenta no meio do churrasco madrugada afora da gauchada.

Ultimamente tenho repetido muito uma frase, nas mais diversas situações: “Precisamos tirar a palavra definitivo do nosso vocabulário”. Nada é definitivo (a não ser a morte, não é o que dizem?). Então eu há um bom tempo decidi não mais carregar esse peso comigo. Eu não vim pro Brasil passar 3 meses exatamente pra testar esse novo estilo de vida? Eu não queria ver como é que funciona na prática, como é que eu vou me sair (e me sentir) e que adaptações terei que fazer? Pois então, é exatamente isso que estou fazendo!

Durante a High Performance Academy, aquele evento que participei durante quatro dias em outubro, lá na Califórnia, eu decidi minhas três palavras, as palavras que eu quero que façam parte da minha vida nos próximos meses, aquilo que eu quero conscientemente ser ou me tornar. Nunca contei pra ninguém quais são as minhas palavras, mas vou contar pra você agora. Há quase dois meses, vivo meus dias prestando atenção se tenho sido joyful (alegre), inspiring (inspiradora) e present (presente).Mudar de vida - Crise dos 30

De todas elas, ser e estar PRESENTE é a que mais mexe comigo, e a que mais tenho me esforçado (confesso que sem muito sucesso às vezes) para ser nas minhas relações. Eu quero viver cada momento em sua integridade, e quero que as pessoas que me cercam sintam que eu estou com elas ali, sem distrações e sem me preocupar com aquilo que poderia ser ou deveria ter sido. Eu estou brincando com meus priminhos no chão da sala? Então o post do Crise dos 30 vai esperar ou vai falhar. Eu estou visitando meus sogros no interior do Rio Grande do Sul e o festerê acabou bem mais tarde do que eu imaginava? Então a preparação das sessões de coaching vai ficar pro dia seguinte.

Não estou com isso sendo irresponsável, estou apenas estabelecendo prioridades e tentando, da melhor maneira possível, me organizar. Me organizar pra ser não apenas a melhor profissional que eu posso ser (algo a que tenho me dedicado quase que integralmente nos últimos meses), mas também para trazer o tão desejado equilíbrio pra minha vida agora, enquanto ela acontece, e não depois, quando eu supostamente tiver as condições perfeitas.

É um desafio diário.

E enquanto vivo esse desafio, vou me conhecendo melhor e descobrindo o que realmente gosto, o que realmente quero, e o que realmente combina comigo e com minha forma de viver e aproveitar a vida.

Ainda faltam 52 dias pra acabar meu desafio. Algo me diz que existem muitas descobertas ainda pela frente…

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.