178° DIA: UM OUTRO OLHAR SOBRE NOMADISMO DIGITAL

Nomadismo digital - Crise dos 30

Cheguei do Rio Grande do Sul hoje, depois de 10 dias visitando a família do meu namorado.

(Plim plim aqui, porque, ao que tudo indica, já recebemos um upgrade geral: depois do pastor da igreja onde nasci e fui criada ter usado o termo “seu marido” de cima do púlpito para se referir ao Henrique, ele mesmo já começou a me apresentar pras pessoas como “minha esposa”… rsrs)

Tirando alguns problemas pontuais com conexão de internet e falta de luz, o saldo foi muito positivo para a minha experiência como nômade digital: atendi todos os meus clientes, com exceção de uma, pois tudo, absolutamente tudo, deu errado (tanto comigo quanto com ela) e acabou que tivemos que desmarcar a sessão da semana. Ainda assim, finalizei a experiência me sentindo feliz e realizada: consegui fazer tudo o que me propus a fazer, não tive que deixar meus clientes na mão e também não precisei abrir mão desse tempo em família por causa do meu trabalho.

Não era isso o que eu queria desde o começo?

Tenho mais é que estar muito feliz e comemorando essa pequena conquista, não é?

E é exatamente isso que estou fazendo (muito mais mentalmente do que externamente, é verdade, mas estou).

No entanto, fato é que tudo tem dois lados…

Sabe aquela história de mar azul no horizonte, computador no colo e um drinque na mesa ao lado? Descobri que esse não é meu sonho. Ao contrário: essa cena, pra mim, estaria mais para pesadelo.

Imagem: blogdepaulagarcia.com
Imagem: blogdepaulagarcia.com

Peraí, como assim, pesadelo? Não é esse o sonho da geração atual? Não é esse o estilo de vida perfeito que tanta gente busca conseguir? Não é esse o estilo de vida que você, Carol, almeja?

Não se avexe! Senta aí que eu vou te explicar.

Embora tenha adorado o fato que, pela primeira vez na vida, meu trabalho não me impôs restrição nenhuma na hora de viajar, pra mim ficou o aprendizado de que esse lance de trabalho nômade pode ser bem mais desgastante do que eu imaginava. Não me entenda mal: eu estou amando trabalhar como coach e me sentindo super feliz com os rumos que minha vida profissional tem tomado. Ainda assim, pra mim, foi muito complicado estar dentro de um quarto, fechada o dia inteiro, enquanto o sol estava brilhando lá fora e os termômetros marcavam 34°C.

Criança brava - Crise dos 30Ah, é! Esse é um lado meu que você ainda não conhece, afinal, comecei a escrever esse blog em pleno inverno: eu sou desesperada por sol e praia (ou piscina). Talvez seja o sangue paulista e todas aquelas lembranças de verões e mais verões de 40°C na cabeça, onde você não tinha nem um córrego onde se refrescar e sua única opção era um banho de mangueira na garagem ou morrer de calor. Não sei… Mas fato é que poucas coisas me deixam mais mal humoradas e com aquela sensação insuportável de que eu estou perdendo algo do que estar trancada em casa em um dia quente.

Sabendo disso, talvez agora você entenda quando eu digo que uma desconfiança que eu tinha se confirmou: essa história de trabalhar na beira da piscina ou num quiosque de praia, definitivamente, não é pra mim. Se estou na beira da piscina quero ter apenas o biquíni no corpo e um livro nas mãos (de vez em quando uma caipirinha, porque ninguém é de ferro) e não um laptop, fones de ouvido e agendas.

É realmente libertador e um estilo de vida fascinante poder trabalhar de qualquer lugar do mundo, e isso é algo no qual eu pretendo investir cada vez mais, mas percebi que eu, Caroline, preciso ter meus momentos de férias que sejam pura e simplesmente férias. Depois dessa experiência da semana passada, eu dificilmente consideraria ir para a Tailândia, por exemplo, com a ideia de me comprometer a continuar trabalhando de lá, a não ser que fosse pra lá por um tempo bem longo, entende? Essa história de passar duas semanas num lugar diferente e continuar trabalhando, pra mim não dá!

Tailândia - Crise dos 30

Mas nem por isso eu tô revoltada, chateada, tampouco odiei a experiência. Muito pelo contrário! Eu adorei! E é por essas e outras que eu coloco minha cabeça no travesseiro e agradeço, todos os dias, pela oportunidade que me dei de testar, na prática, o estilo de vida com o qual eu sonhava. Nem penso em desistir dele, mas hoje sei que tenho várias adaptações a fazer. Aquilo que eu sonhava se mostrou diferente na prática, e tudo bem. Não existe decepção nem frustração, apenas uma oportunidade de ajustar os planos.

Por exemplo, o Henrique e eu chegamos a conclusão que, da próxima vez, não ficaremos tanto tempo separados, pois não foi bacana pro nosso relacionamento. Chegamos também a conclusão que não queremos não ter casa quando voltarmos pra Nova Zelândia, pois é f… ter que começar tudo do zero, toda vez. Aliás, eu sempre achei que, nesse aspecto, eu tiraria de letra, mas acabou que essa história de não ter casa quando voltarmos se revelou muito mais difícil pra mim do que pro próprio Henrique – baita surpresa pra nós dois!stop- - Crise dos 30

Cara, nada é definitivo, mesmo! Risque a palavra DEFINITIVO do seu dicionário, hoje mesmo. Nada que você resolver fazer agora precisa ser pra sempre, e nem precisa ser exatamente da forma que você planejou. Pra mim, o grande lance tem sido me abrir, me permitir, deixar que as coisas aconteçam e observar meus sentimentos e reações quando elas acontecem.

Eu gosto mesmo daquilo que eu achava que gostava? Será que não existem outras formas de fazer as mesmas coisas? O objetivo disso tudo não seria encontrar a minha forma, o meu jeito?

Que maravilha é poder colocar nossos ideais e “certezas” em cheque e saber que podemos fazer as mudanças necessárias pelo caminho. Sempre há tempo de corrigir a rota, de mudar o rumo.

Sem pressa.

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.