180° DIA: VOCÊ SABIA QUE EU SOU INSEGURA?

Insegurança - Crise dos 30

Já perdi as contas de quantas pessoas me disseram (ou ainda me dizem) frases do tipo: “Tudo o que você quer, você consegue” ou “Eu queria ter a mesma coragem e determinação que você” ou “Admiro sua autoconfiança e vontade de correr atrás dos seus sonhos, de fazer acontecer”. E eu não ouço isso apenas de amigos e família, não. De junho pra cá, tenho ouvido também dos leitores aqui do Crise dos 30, que todos os dias me mandam alguma mensagem diferente, vindas dos mais diversos cantos do Brasil e também de alguns outros países desse mundão. Já ouvi até de alguns dos meus clientes de coaching.

Desde criança eu passo essa imagem de segurança, de confiança. É raro alguém que me conheça e que não me veja como uma pessoa segura de si, bem resolvida e que vai e faz (bem, pelo menos essa é a parte que falam pra mim, o que falam por trás eu realmente não tenho como saber… hahahaha). E eu não nego essas características. Eu vejo isso tudo como parte importante de quem eu sou, mas como diria a música do Skank, tudo tem três lados…

Insegurança - Crise dos 30Eu, como todo mundo, tenho lá minhas inseguranças. E não são poucas não, viu? Em alguns casos, o que eu tento fazer é não deixar que elas me vençam. Em outros, eu as ignoro, fingindo que elas não existem pra não ter que lidar com elas. E eu sei que isso não tem nada de positivo.

Por exemplo, eu não dirijo. Tenho carteira de motorista desde 2004, mas não dirijo. Uma vez ouvi (acho que foi da minha mãe, não lembro direito) que “definitivamente não combina uma mulher independente como eu não dirigir”. Isso nunca saiu da minha cabeça, mas eu também nunca fiz nada para mudar. Há 11 anos eu procuro não pensar nisso e vou dando um jeito na minha vida de forma que o fato de não dirigir me incomode e prejudique o menos possível, mas a verdade é que eu nunca tive disposição de mexer no monte de merda que tá lá atrás, e que eu sei exatamente quais são (bem, pelo menos eu acho que sei), pra me livrar de uma vez por todas desse medo. Afinal de contas, eu também acho que não tem nada a ver uma mulher independente como eu ter que ficar dependendo da carona dos outros pra se locomover.

Mas eu tô evoluindo. Esse tempo que me dei desde que saí do meu emprego, em maio desse ano, e decidi me dedicar ao desenvolvimento pessoal e ao autoconhecimento, já me rendeu bons frutos. Hoje eu me observo muito mais. Eu não deixo mais essas inseguranças correrem soltas, sem nunca serem detectadas. Deve ter muito mais poeira em baixo desse tapete – claro que tem! – mas as pontas que levantei já me mostraram coisas importantes, que precisam da minha atenção.

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Debaixo do tapete - Crise dos 30

Hoje eu me peguei procrastinando. Deixando pra depois uma tarefa importante, essencial, que deveria estar no topo da minha lista de prioridades. Tudo o que tinha na minha “to do list” eu passei na frente, o quanto pude, simplesmente pra não ter que lidar com uma das minhas maiores inseguranças. rias das tarefas que eu adiei durante os exatos dois meses que estou no Brasil eu fiz hoje: desde ir ao banco até levar um par de botas no sapateiro. Coincidência? Acho que não…

Mas não vai ter como fugir. Eu me peguei no pulo! Eu ouço o tempo todo o que aquele diabinho insiste em repetir no meu ouvido:

“Você não é capaz!

                          Quem você pensa que é?

                                                              Tá se aventurando demais, heim?

                                                                                                                    Vai passar vergonha!”

Diabinho - Crise dos 30Eu sei o que ele quer que eu faça. Ele quer que eu fique extremamente ocupada, o dia inteiro. Tão ocupada que não tenha tempo nem pra fazer xixi. Tão louca com meus afazeres que não encontre tempo pra nada, e que, quando chegar a hora de dormir, eu deite a cabeça no travesseiro e repita pra mim mesma: “Nossa, como eu tô cansada! Que dia absurdamente corrido eu tive hoje!”, nem que eu tenha passado o dia todo no Facebook, respondendo e-mails, ou mesmo trabalhando e estudando.

Mas ele não vai ganhar essa briga. Há tempos que eu não deixo mais esse diabinho falando sozinho, o dia inteiro, o que ele bem entender. Quer dizer, ele continua falando, mas o que mudou é que eu tô ficando cada vez melhor em identificar quando é que eu estou ouvindo o que ele diz.

Como resultado dessa observação constante, meu compromisso comigo mesma, no dia de hoje, é o seguinte: eu não vou dormir sem fazer aquilo que eu sei que eu preciso fazer. Posso até procrastinar por mais algumas horas, mas não coloco meu pijama sem ter passado por cima das minhas inseguranças e feito o que precisa ser feito. De brinde, sei que ainda vou dormir bem mais leve depois.

Amanhã conto como foi.

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.