182° MAIS UM MÊS E EU VOU EMBORA

Partida - Crise dos 30

Daqui 30 dias, a essa hora, eu estarei me despedindo das pessoas que mais amo. Estarei carregando as malas no carro e indo em direção ao aeroporto. Se fosse numa situação normal, eu teria acabado de chegar e 30 dias seria tudo o que eu teria pra ficar aqui. Sim, eu sei disso. Ainda assim, três meses me pareceu um tempo curto demais…

Ainda falta um mês, mas já sinto um clima de despedida no ar.

Essa semana já me despeço de pessoas que não verei mais. Natal, Ano Novo, vai cada um pro seu lado (eu mesmo vou viajar na semana logo após o Natal) e as agendas não batem mais. Esse final de semana vou trazer a criançada pra dormir aqui em casa de novo porque, por incrível que pareça, não teremos mais finais de semana disponíveis daqui pra frente pra fazer isso.

E aí chegou aquele momento que eu, conscientemente, deixei pra viver apenas agora. O momento de pensar no que será da vida quando eu voltar pra Auckland. Essa semana eu tive que me lembrar que eu vou voltar pra lugar nenhum, porque não tenho casa. Vou voltar pra salário nenhum, porque aquela segurança do emprego me esperando não existe mais.

E assumo: bateu uma ansiedade.Crise dos 30

Foi estranho me ver fuçando casas pra alugar e vagas de emprego pela internet, pensando e repensando opções. Afinal, o prazo que eu me dei pra exclusivamente recalcular minha rota, como diria a Alana Trauczynski, acaba dia 26 de janeiro, assim que colocar meus pés de volta na Nova Zelândia. Da mesma forma que termina também o Desafio dos 222 Dias.

Não seria exagero dizer que praticamente desde que cheguei ao Brasil já comecei a atender como coach, e eu tô amando! Tô com a agenda lotada e fila de espera, é verdade, mas a real é que, por enquanto, o coaching ainda não me sustenta. Coloque na ponta do lápis um câmbio a $2.53 e veja o quão mais preciso trabalhar para conseguir sobreviver recebendo em Real e vivendo na Nova Zelândia…

Encontrando a resposta - Crise dos 30

Eu já sabia que esse momento iria chegar. Foi um risco totalmente calculado. Depois de toda aquela reviravolta na minha vida, antes mesmo de entrar no avião eu já sabia que chances eram que eu teria que voltar pra terra dos kiwis procurando por um emprego, temporário que fosse, até que eu me firmasse na prática do coaching. Mas eu vim pro Brasil, coloquei em prática o meu “estilo de vida ideal”, comecei a atender como coach, continuei escrevendo no blog, e agora tô surpresa com a quantidade de e-mails que tenho recebido propondo alguma forma de parceria. Isso é algo que eu não poderia prever de jeito nenhum! O Crise dos 30 ainda está longe de ter uma visibilidade que eu considere ideal na internet, mas mesmo assim já existem várias pessoas me contatando pra propor algum tipo de trabalho em conjunto, e isso me deixa extremamente honrada.

Armadilha Marketing digitalAinda assim, todas essas são coisas que levam um tempo pra acontecer e pra gerar algum tipo de renda, e a verdade é que, a partir de janeiro, a vida precisará ser colocada nos eixos financeiramente. Não é mais uma possibilidade viver apenas com 1/4 do dinheiro que recebíamos até sete meses atrás.

E eu tô tranquila com a ideia de ter algo paralelo ao coaching até que as coisas se ajeitem.

Como disse, eu já estava antes mesmo de começar a realmente atuar como coach. Eu já esperava por isso. O que eu não esperava é que encontraria dois anúncios de emprego que realmente me chamassem a atenção, e (assumo) me dessem um brilho nos olhos que eu jamais imaginei sentir por algo que não fosse o turismo ou, mais recentemente, o coaching.

PS: Tudo bem se eu não contar qual é esse trabalho? Ninguém vai ficar chateado, né? É que é algo tão novo pra mim, tão inusitado, que ainda não me sinto totalmente a vontade com a ideia nem pra mim mesma, quanto mais abrindo assim pra centenas de pessoas…

O desafio que tive essa semana, aquele que procrastinei por quase dois dias inteiros mas que finalmente venci ontem, foi atualizar o meu currículo, escrever as cartas de apresentação personalizadas pra cada uma das vagas, e enviar os e-mails. Em cada etapa do processo eu ouvia a minha própria voz dizendo:

“Tá louca? Isso não é pra você! Você não tem capacidade pra desempenhar um trabalho desses! Se vai voltar ao mercado de trabalho tradicional, então que seja pra uma operadora de turismo. Tem tantas vagas! Vai fazer o que é seguro, aquilo que você faz com as mãos nas costas, aquilo que vai te dar o dinheiro que você precisa pra se manter por um tempo e onde você sabe que você é boa!”

Crise dos 30 - ChoroSe eu tivesse vivendo isso alguns anos atrás, provavelmente investiria nessa opção: a opção da segurança, do dinheiro, mesmo que obviamente não seja mais o que faz meu coração bater mais forte. Mas depois de três processos de coaching, uma das coisas essenciais que aprendi é que um dos meus valores principais é o DESAFIO. E sabe o que acontece quando a gente não age de acordo com nossos valores? A gente se sente frustrado, infeliz, como se houvesse algo fora do lugar – e realmente há.

Então, embora não tenha sido nada fácil, eu finalmente engoli meu medo, pedi a Deus que esteja comigo nesses próximos meses, anexei os arquivos e cliquei em enviar. Foi como ter jogado uma moeda pro alto, mas ela não vai cair até que o ano de 2016 se inicie. Não tenho como saber, de imediato, se é cara ou coroa. Mas dei o primeiro passo. Mais um de tantos primeiros passos, com aquele friozinho no estômago que ao mesmo tempo que incomoda, empolga. Sabe como é?

Animada como poucas vezes estive pro começo de um novo ano. Mais do que nunca, eu confio na vida. Faço minha parte, e a partir de agora, deixo estar. Que aconteça o que for melhor pra mim, mesmo que o melhor não seja necessariamente aquilo que eu quero.

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.