185° DIA: CAINDO DE NOVO NA ARMADILHA DE ODIAR AS SEGUNDAS-FEIRAS

Armadilha - Crise dos 30

Eu sei, eu sei… Fiquei o final de semana todo sem dar as caras por aqui. Sumir não era a intenção, mas passei os últimos dois dias me dedicando às crianças que vieram dormir em casa (elas dormiram, eu não! rsrs), aos almoços em família, aos encontros com os amigos. Depois de uma nova crise alérgica e do remedinho matador (aquele que me faz desmaiar por umas 12 horas seguidas), ontem antes das 23h eu já estava na cama. Escrever pro blog? Não tive forças nem pra ligar o computador.

O fim de semana foi ótimo, me senti inteira e dedicada àquilo que mais me faz falta quando tô lá na Nova Zelândia: minha família. A expectativa pra semana também é fantástica, pois embora esteja dando andamento ao processo de coaching de vários clientes, não tô numa correria insana: terei um precioso tempo livre pra me dedicar ao que eu bem entender. Sonho de consumo de muita gente, né?

Ainda assim, hoje eu acordei desanimada.

Desânimo - Crise dos 30Me peguei cabisbaixa e pensativa, me sentindo cansada e sem vontade de fazer as coisas que preciso fazer nesses próximo três dias, antes que o mundo pare por causa das festas de fim de ano. Me peguei questionando minhas decisões, minha capacidade de ser coach, minha vocação, meus talentos. Me peguei duvidando do futuro, com aquele medo recorrente da falta de dinheiro, com medo de não conseguir viabilizar os meus planos. Me percebi totalmente sem energia. E triste.

Mas que merda…

Porque uma pessoa que saiu lá do outro lado do mundo pra colocar em prática o estilo de vida dos seus sonhos aqui, no Brasil, vivendo por três meses perto da sua família, podendo se dedicar 100% ao que gosta, viabilizando aos poucos uma nova carreira, já colhendo bons frutos disso, podendo conciliar trabalho e vida pessoal de uma forma que nunca tinha sido possível antes, acordaria numa segunda-feira querendo que chegue logo o feriado?

Não precisei de mais que alguns minutos pra começar a pirar e a duvidar de tudo o que tenho feito até aqui. Se hoje é segunda-feira, vou atender meus clientes, estudar e escrever pro blog (tudo o que eu mais queria que fosse possível passar meus dias fazendo) e eu acordei querendo que já fosse véspera de Natal, será então que eu não quero mais ser coach? Será que escrever não me traz mais alegria e satisfação? Será que toda minha caminhada dos últimos 7 meses me levou ao destino errado?

Comecei a pensar na necessidade que eu provavelmente terei de arranjar um outro emprego assim que chegar em Auckland, para complementar a renda e começar a colocar a vida financeira de volta nos eixos. Então será que eu tenho é que me dedicar a outra coisa? Será que ser coach não é pra mim? Será que eu nunca vou ser a profissional excelente que quero ser? Será que estou desanimada porque, no fundo, não gosto de ser coach?

Eu estava pensando nisso quando resolvi compartilhar uma mensagem no Facebook hoje. E a que escolhi foi essa aqui:

Facebook - Crise dos 30

No meio desse turbilhão de pensamentos e teorias que eu estava criando pra mim mesma, eu li essa frase e percebi que o que estava me faltando era parar pra ouvir meu coração.

Se eu soubesse o motivo de estar me sentindo triste e desmotivada nessa segunda-feira, qual seria esse motivo?Descanso - Crise dos 30

A única resposta que veio à minha mente foi essa: eu me cobro demais. Estou há exatos 7 meses e 20 dias em casa, sem trabalhar num escritório ou responder às cobranças de um chefe, e em todo esse tempo eu praticamente não me dei folga. Eu não me permiti parar pra nada. Num ano onde me dediquei a tantas coisas, ficou faltando uma: me dedicar puramente ao meu lazer e a minha diversão. Não me dediquei a relaxar, a acordar a hora que bem entendesse, a descansar, a simplesmente curtir uma semana de piscina, sol e sorvete. Sempre tenho que estudar, que escrever pro Crise dos 30, que atender um cliente, que responder e-mails, que postar algo no Facebook. E quando paro, é sempre por pouco tempo. Uns poucos dias e já começa a autocobrança tudo outra vez.

O Crise dos 30 não é meu trabalho, você está certo ao pensar isso. Mas é um compromisso. É algo pelo qual paro, todos os dias – às vezes de manhã, às vezes à tarde, às vezes já morrendo de sono embaixo das cobertas – e me dedico a escrever algo que eu acho relevante, pra mim e pra quem me lê. E isso toma tempo. Algumas horas, na grande maioria dos dias.

Se você me conhece pessoalmente ou se acompanha o blog com alguma frequência, já deve ter percebido que eu simplesmente não consigo levar as coisas em banho-maria. Eu decidi criar o Desafio dos 222 Dias, achei que seria algo bom pra mim – e eu estava certa! – e fui em frente. Incontáveis foram as vezes que deixei de fazer outras coisas pra cumprir meu compromisso de escrever: estar com amigos, assistir alguma série bacana, ler mais livros, dar atenção à minha família, ir à piscina, preparar um jantar bacana, dormir. Até aí tudo bem, eu amo escrever! Não é pecado nenhum priorizar algo que você ama, que te revigora, que te faz bem. Muito pelo contrário. Bom seria se tivéssemos sempre esse cuidado em nossa rotina (não tenho dúvida que seríamos todos muito mais felizes e dispostos!). Mas eu transformei o meu prazer em obrigação, e agora eu tô cansada. Como muitas das outras pessoas com as quais eu converso, o fim de ano chegou e ninguém tá aguentando mais. É aquela sensação de “se 2015 tivesse mais um dia, eu não ia conseguir…”

Mas não precisava ser assim pra mim. Não esse ano. Não quando estou vivendo essa fase específica da minha vida: eu viabilizei o estilo de vida dos meus sonhos, caramba! E ainda assim tô me sentindo cansada e desanimada?

Stress - Crise dos 30Mais uma prova de que nossa realidade é a gente quem cria.

Eu posso “largar tudo” e me dedicar a viver a vida que eu quiser, do jeito que eu quiser, fazendo o que eu quiser. Eu posso ter toda a liberdade geográfica e de horários que eu sempre desejei, no entanto, se eu não mudar o que quer que precise ser mudado eu mim, eu vou sempre continuar recriando a mesma realidade: a realidade do stress, do cansaço, da estafa total.

Pensando nisso, resolvi então me propor um novo desafio. Me dá até um calafrio na espinha só de pensar nisso, imagina então agora que eu resolvi escrever? Mas lá vai:

De 27 de dezembro à 10 de janeiro, o Crise dos 30 vai parar, e o Desafio dos 222 Dias também. Vou viajar e não vou levar meu computador. Pela primeira vez desde que pedi demissão do meu trabalho, não terei compromisso com absolutamente nada por duas semanas. Não vou estudar, não vou atender clientes, não vou escrever, não vou checar e-mails. O único compromisso possível será o de relaxar e me divertir, sem pensar no turbilhão de coisas que não posso deixar de fazer.

Descanso - Crise dos 30

Hoje, exatamente hoje, eu percebi que eu preciso celebrar as conquistas que tive até aqui. Eu trabalhei pra caramba, me dediquei horrores e estou conseguindo fechar um ano potencialmente ruim com um saldo pra lá de positivo. Agora é a hora de me recompensar pelos meus esforços! Porque eu não mereceria isso? O que faz de mim uma máquina que não pode parar, que não tem direito ao puro lazer?

Eu não quero nunca mais odiar as segundas-feiras. E se eu não quero ter esse padrão permanentemente instalado na minha vida, é agora, no início dessa nova fase, que preciso estar disposta a prestar atenção e, mais importante, a agir para mudar. Tudo isso pra que eu não perceba, lá na frente, que o estilo de vida dos meus sonhos foi construído com base em velhos padrões – padrões esses que eu sei que não me servem mais.

A mudança começa agora. E cada detalhe conta.

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.