211° DIA: PRA QUEM SE ACHA VELHO DEMAIS PRA MUDAR DE PROFISSÃO

Velho demais - Crise dos 30

Meu Deus, como está difícil manter meu compromisso de escrever todos os dias nessa reta final! Faltam apenas 11 dias para o 222° dia do desafio e juro que hoje, por um momento, eu pensei que poderia mesmo encerrar por aqui. Esses últimos dias no Brasil têm sido uma baita correria e sábado e domingo (que é o dia da partida) serão ainda pior. Como vou arrumar tempo pra aparecer por aqui? Sinceramente, eu não sei…

Entre clientes de coaching, festas infantis, câmbio de moedas, compromissos inusitados e burocracias como ir à banco e cadastrar senhas, tô me virando nos 30 pra conseguir ver todo mundo e me despedir. Mala? Acho que vai ser fechada na madrugada de sábado pra domingo, é o jeito! Tá tenso, mas acho que aprendi a curtir essa loucura pré-viagem, é bom se sentir querida e ter tantas pessoas pra falar tchau Heart

Prometo dar as caras, mas não esperem conteúdos originais, daqueles que eu demoro horas e mais horas pra produzir. Simplesmente não tem como! Mas vou tentar trazer algumas reflexões interessantes da mesma forma, coisas que vejo e leio por aí e que considero relevantes pra minha vida, então por que não compartilhar?

O texto que queria trazer hoje está no livro Grande Magia (ou Big Magic, em inglês) da Liz Gilbert – já deu pra perceber que eu super curto o trabalho dela, né? Estou terminando de ler o livro que é recheado de reflexões interessantes, exatamente como essa,  que cai como uma luva pra aqueles que, como eu, vivenciam a Crise dos 30 e se acham quase que inevitavelmente velhos demais pra fazer uma grande mudança na vida, principalmente quando o assunto é mudança de carreira.

Se identifica com isso? Também tem medo de estar arriscando demais, de se arrepender, de estar sendo irresponsável, sonhador ou imprudente? Então não deixe de prosseguir com a leitura Crise dos 30 - Blink

“Nunca é tarde demais.

Eu poderia dar dezenas de exemplos de pessoas incríveis que só começaram a seguir seus caminhos criativos mais tarde – às vezes muito mais tarde – na vida. Mas, por razões de economia, darei apenas um.

Seu nome era Winifred.

Eu a conheci na década de 1990, em Greenwich Village, em sua festa de aniversário de noventa anos, que foi um estouro. Era amiga de um amigo meu (um cara de vinte e poucos anos; Winifred tinha amigos de todas as idades e origens). Era uma espécie de celebridade nos arredores de Washington Square, uma verdadeira lenda boêmia que morava no Village desde sempre. Tinha longos cabelos vermelhos, que usava glamorosamente amontoados no topo da cabeça, e sempre estava enfeitadas com colares de contas de âmbar. Quando o marido, que fora cientista, ainda era vivo, os dois passavam as férias caçando furacões e ciclones por todo o mundo, só por diversão. Ela mesma poderia ser considerada um furacão.

Winifred foi a mulher mais cheia de vida que conheci em minha juventude, então, certo dia, buscando inspiração, perguntei a ela: “Qual o melhor livro que você já leu?”.

“Ah, querida”, ela respondeu, “nunca poderia me restringir a um só livro. Há tantos livros que são importantes pra mim. Mas posso lhe dizer qual é meu assunto preferido. Dez anos atrás, comecei a estudar a história da antiga Mesopotâmia, que se tornou minha paixão. E vou lhe dizer uma coisa: isso mudou completamente minha vida“.

Para mim, aos 25 anos, ouvir uma viúva de noventa dizer que sua vida havia mudado graças a uma paixão (e tão recente!) foi uma revelação. Foi um daqueles momentos em que eu podia quase sentir minha visão se expandindo, como se minha mente estivesse se abrindo e acolhendo várias novas possibilidades de vida que uma mulher pode ter.

Porém, conforme fui descobrindo mais a respeito da paixão de Winifred, o que mais me impressionou foi que ela tivesse se tornado uma especialista reconhecida em história da antiga Mesopotâmia. Afinal de contas, tinha dedicado àquela área de estudo toda uma década de vida. E se você se dedica a qualquer coisa de modo diligente durante dez anos acaba se tornando um especialista. (Esse é o tempo que seria necessário para fazer dois mestrados e um doutorado.) Ela havia visitado o Oriente Médio e participado de várias escavações arqueológicas, tinha aprendido escrita cuneiforme, ficara amiga dos maiores estudiosos e curadores do assunto e nunca perdia nenhuma exposição ou palestra que fosse realizada em Nova York a respeito do tema. As pessoas procuravam Winifred em busca de respostas sobre a antiga Mesopotâmia, porque agora ela era a autoridade.

Eu era uma jovem recém-saída da faculdade. Ainda havia uma parte tola e limitada da minha imaginação que acreditava que minha educação estava concluída porque a Universidade de Nova York havia me conferido um diploma. Conhecer Winifred, no entanto, me fez perceber que nossa educação não termina quando eles nos dizem que terminou; termina quando nós dizemos que terminou. E Winifred – quando era apenas uma garotinha de oitenta anos – decidira com firmeza: ainda não terminou.

Então quando é que você pode começar a correr atrás de uma vida mais criativa e apaixonada?

Pode começar quando decidir.”

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.