Que conselho você daria pra Carol de dez anos atrás?

Crise dos 30 - Conselhos dez anos atrásHoje, um grupo de quatro alunas que estão se formando no final desse mês me abordaram e, sem pestanejar, lançaram uma pergunta:

Carolaine, se você pudesse dar um conselho a Carolaine de dez anos atrás, que conselho daria?”

Sei que é uma pergunta até meio batida, é verdade, mas a questão é que eu nunca parei pra refletir sobre isso. Nos 30 segundos que elas me deram pra pensar (quanta generosidade!), obviamente não consegui pensar muito, e o que saiu da minha boca foi a resposta mais cliché que poderia ter sido:

“Eu diria pra ela nunca desistir dos seus sonhos. Diria pra ficar tranquila porque ela é capaz de realizar tudo o que ela ousar imaginar.”

As palavras mal sairam da minha boca e eu já pensei: “Nossa, que piegas! Não dava pra pensar em algo melhor, não? Que vergonha…” Mas aí eu engajei na conversa com as meninas, que ouviam a cada palavra em silêncio e prestando toda a atenção, se portando como a gente se porta quando está ouvindo a história de vida dos mais velhos, saca? (Aliás, uma dessas meninas foi a mesma que me disse que eu era ‘too fit to be that old’Anyway… Faz parte do pacote quando se é professor: não importa o quão jovem você é – me deixa continuar achando que eu sou, vai… -, eles sempre te olham como se você fosse meio ancião).

Enfim… Engatei na conversa com as alunas e, aos poucos, fui relembrando o que era ter 21 anos. Lembrei que, naquela época, eu tinha acabado de realizar o que até então tinha sido meu maior sonho; tinha tido a prova que conseguia me virar numa segunda língua, tinha passado uma temporada morando e trabalhando em outro país, estava me formando na faculdade, tinha um bom emprego na área da minha formação. E tinha tantas dúvidas! Tinha medo do futuro, de como ia ser, do que ia acontecer. Eu me casaria? Eu teria uma família? Eu teria uma vida estável financeiramente? Eu viajaria o mundo? Eu teria a oportunidade de morar de verdade em outro país? Eu seria bem sucedida na minha carreira no Turismo? Eu viveria uma vida da qual eu teria orgulho?

Vixi! E essa era só a ponta do iceberg… Consegui sentir exatamente o que imagino que aquelas meninas estavam sentindo quando me fizeram a pergunta: precisando de um conforto, querendo ouvir de alguém mais experiente que vai ficar tudo bem.

Mas de que adiantaria falar isso pra Carol de dez anos atrás? Pensando bem, talvez eu falaria que ela é mais forte do que ela imagina. Que ela vai passar por algumas boas, chorar, se descabelar, mas que no final das contas ela vai sobreviver. O que eu não diria é pra ela confiar que a vida dá seu jeito, porque hoje eu sei que ela precisaria viver tudo o que viveu nesses dez anos pra que isso pudesse fazer algum sentido. Ouvir isso naquela época não passaria de frasezinha de livro de auto-ajuda barato, não faria a menor diferença.

Hoje eu sei disso. Em 2006 eu não sabia. E de nada adiantaria querer filosofar sobre isso pras quatro meninas de 20 e bem pouquinhos que estavam na minha frente, cada uma com seus próprios planos, angústias e dúvidas.

Que bom que eu só falei pra elas seguirem acreditando nos seus sonhos, porque essa parte tenho certeza que elas conseguem entender. Que a vida dá seu jeito? Não vamos estragar a surpresa… Tem coisa que não adianta ninguém contar: tem que viver pra crer.

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista residente em Auckland, gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito (contanto que a morte não seja o assunto da rodinha) e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.