Dica simples pra encontrar sua paixão (seu propósito, sua missão, ou como quiser chamar)

Crise dos 30 Paixão PropósitoPela segunda vez em pouco mais de um mês, cá estou eu: em casa, de cama, com uma gripe que insiste em me pegar. É só alguém ameaçar ficar doente do meu lado, e pronto! Os vírus decidem migrar todos pro meu corpo. É a quarta vez que fico doente só esse ano!

Faz umas 4 horas que acordei e só levantei da cama pra fazer xixi. Passei a maior parte do tempo planejando minhas próximas viagens (os próximos 3 meses estão surpreendentemente recheados delas!) e assistindo vídeos no YouTube sobre assuntos que – adivinha – também me ajudarão a planejar as tais viagens. Quando perdeu a graça, peguei o computador e resolvi escrever. Sei lá sobre o quê, só sabia que estava com vontade de escrever. Foi uma atitude natural e meio que inevitável, sabe? Se eu tivesse um livro por perto talvez teria optado por ler, mas o que eu estava lendo acabou e ainda não fui na biblioteca pegar outro.

Anyway… Tô contando isso pra dizer que parei pra prestar atenção nas minhas escolhas dessa manhã e me peguei pensando que talvez sejam nesses momentos onde a gente é forçado a ficar sozinho, num quarto, sem nada pra fazer, que nossos reais interesses aflorem.

Sabe aquele lance de encontrar seu propósito, de descobrir sua paixão e, quem sabe, fazer desse o seu trabalho, a sua fonte de renda?

Crise dos 30Esse assunto que permeia os pensamentos de muitos trintões por aí, que nos tira o sono, que faz alguns de nós gastar rios de dinheiro em tantos cursos online que de uma hora pra outra ‘não podemos mais viver sem’ (alguns muito bons, outros de qualidade duvidosa…) e que por vezes nos faz pensar que todas as outras pessoas estão super bem resolvidas na vida, e que somos os únicos perdidos que não têm ideia do que realmente nasceram pra fazer?

Você sabe do que tô falando, né?

Sei lá, fiquei pensando que talvez seja muito mais simples do que a gente prefere acreditar. Eu passei ao menos 2 anos da minha vida imersa no mundo do autoconhecimento, tentando me descobrir, me entender. Me estruturei financeiramente, pedi demissão do meu trabalho, me permiti um tempo de pouco mais de 9 meses pra ler, estudar, escrever. Todos os dias. Fiz cursos, viajei, decidi passar 3 meses inteiros com minha família (coisa que não acontecia há quase 5 anos, desde que me mudei pra Nova Zelândia). Comecei um blog, revisitei minha história, escolhi as palavras para contá-la.

Chorei, duvidei, me desanimei. Também sorri, acreditei, persisti.Crise dos 30 Pausa necessária

Foi uma pausa necessária, um tempo de descobertas que me transformou um pouquinho mais, como todas as outras crises pelas quais passei. Que me permitiu estar a Carol que estou hoje, e que me deu a sensibilidade pra notar o óbvio (sensibilidade essa que eu não tinha antes de todo esse processo, e por isso sofria).

O que é esse óbvio?, pode ser que você esteja se perguntando.

O meu óbvio é que eu SEMPRE volto pra aquilo que eu amo, pra aquilo que sou apaixonada e que faço com tanta facilidade. Não importa o que mais eu me dedique a fazer, o tanto do meu tempo que eu decida vender pra “ganhar a vida”, pra me sustentar. Fato é que sempre que tenho um tempinho pra simplesmente ser, aquele momento que ninguém tá olhando, ninguém tá julgando e que eu não tenho que dar nenhuma explicação – ou seja, o momento em que eu posso simplesmente escolher o que fazer -, eu não sinto que escolho, eu meio que sinto que sou escolhida. É algo inevitável, que eu não consigo deixar de fazer, sabe?

O meu primeiro impulso é, na maioria das vezes, pesquisar destinos, culturas, lugares que conheço ou que quero conhecer. Me inspiro com as histórias de outros viajantes, assisto vídeos com curiosidades sobre lugares que amo, penso em projetos que eu posso, quem sabe um dia, criar a coragem necessária para tirar do papel.

Crise dos 30 Paixão EscreverQuando eu cansar disso, você vai com certeza me achar fazendo uma dessas duas coisas: estudando (minha última empreitada foi voltar a aprender francês em casa, mas tá difícil!!!) e lendo livros (que podem ser de ficção ou de assuntos mais profundos, geralmente que têm a ver com autoconhecimento e desenvolvimento pessoal) ou então escrevendo (alguns textos vêm pro blog, mas uma coisa que você não sabe é que incontáveis são as ideias de textos inacabados…).

É isso.

São essas as coisas que eu amo fazer.

É isso que faço com naturalidade, que não vejo o tempo passar, que não me dói e nem arranca pedaço. É isso que escolho fazer quando estou doente e poderia facilmente passar o dia todo assistindo Netflix (se ao menos eu tivesse Netflix…). Que não choro e não sofro com a possibilidade de passar o resto do meu dia fazendo. Faço sem nem perceber, e quando chega a hora de parar, geralmente não quero. Tem vezes que não quero nem dormir!

Será que existe alguma definição melhor pra paixão, missão, propósito?

Se souber de alguma me conta, porque até hoje não consegui descobrir.

São as pequenas coisas. Sem dúvida, são as pequenas coisas…

Se uma dessas coisas vai virar meu ganha pão algum dia? Isso já é outro assunto, pra um próximo post quem sabe. Caminhemos um passo de cada vez.

PS: Levou alguns anos pra que eu parasse de complicar a vida e começasse a procurar as respostas no lugar certo (ou seria no lugar ‘perto’?). Quem sabe esse post, que surgiu de uma gripe e um dia de cama, te poupe alguns anos de terapia? Vai saber…

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista residente em Auckland, gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito (contanto que a morte não seja o assunto da rodinha) e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.