6 coisas que aprendi viajando por 6 continentes

Viagem Continentes Aprendizados Crise dos 30

Quem me conhece pelo menos um pouquinho, seja pessoalmente ou aqui mesmo pelo blog, sabe que uma das maiores prioridades que tenho na vida é siricutiar por aí. Seja com uma mochila nas costas ou com uma surrada mala de rodinhas, meu grande prazer é dar umas voltinhas mundo afora; tanto que, atualmente, quando me perguntam o que eu faço da vida, tenho começado a responder:

“Eu trabalho pra juntar dinheiro pra viajar. Aí eu planejo a viagem, viajo, volto, trabalho mais e começo a planejar a próxima. É basicamente isso o que faço da minha vida”.

Logo que completei 30 anos, realizei o que pra mim foi um grande feito: fiz a minha primeira e tão sonhada viagem pra um país asiático e, com isso, atingi o marco de ter colocado meus pezinhos em cada um dos seis continentes desse planeta (isso se não contarmos a América Central e a Antártida… Afinal de contas, quantos continentes existem?).

Foi significativo pensar que isso aconteceu pouquíssimos dias depois de eu ter entrado na era 3.0, principalmente sendo uma pessoa que valoriza tanto cada oportunidade que surge de conhecer um lugar diferente, e que acredita tanto no poder transformador das viagens.

Você já deve ter me ouvido falar bastante sobre isso, né? Nesse post vou te mostrar que eu não falo da boca pra fora, não! Selecionei algumas das viagens mais marcantes que já fiz, cada uma em uma fase bem diferente da minha vida, e vou contar o que aprendi com elas.

Preparada? Aperte os cintos e vem comigo nessa volta ao mundo!

2005 – Em Orlando (EUA) aprendi que:

Disney Sonhos Orlando

“If I can dream it, I can do it!”

O Walt Disney costumava dizer essa frase sempre que perguntavam pra ele sobre seu sonho ‘impossível’ de construir a Disneyland. Ele dizia que “se você pode sonhar, você pode realizar”, e foi em 2005, quando fui aprovada num extenso processo seletivo e fiz meu primeiro intercâmbio no exterior, que essa frase se manifestou tão plenamente em minha vida.

Meu grande sonho de menina era conhecer a Disney, e quem diria que eu iria realizá-lo em grande estilo: não apenas visitando os parques, mas trabalhando lá por quase 3 meses! Com um inglês mediocre, sem dinheiro e sem nunca ter saído do país.

Foi o primeiro grande sonho que realizei, e foi através dos meu próprio esforço. Resultado: um boost na minha autoestima, me dando a certeza que valeria a pena seguir pela vida e continuar sonhando, porque é possível SIM realizar! E o gostinho do sonho realizado é um vício pior do que comer chocolate depois da janta: depois que você se acostuma com o sabor, não dá mais pra parar!

2008 – Em Lisboa (Portugal) aprendi que:

Lisboa Portugal

A gente não sabe é de nada!

Que coisas que achamos que são péssimas e que só vieram pra acabar com nossos planos, podem ter resultados surpreendentemente positivos lá na frente.

Isso é uma coisa na qual acredito piamente: NADA ACONTECE POR ACASO. Já vivi muitos momentos que me mostraram isso, e sigo acreditando até que me provem o contrário. Aprendi coisas valiosas quando saí de empregos que eu gostava, quando terminei relacionamentos, quando voltei pra casa dos meus pais depois de um divórcio. E em Portugal tive um grande e valioso aprendizado também:

“A diarreia que vem pra f…er com a sua viagem pode resultar em vários quilinhos perdidos sem que você tenha que suar na academia (bem, nesse caso eu suei bastante, mas foi sentada por dois dias no vaso sanitário). Enfim… foi sofrido, mas valeu a pena!” kkkkkkk

Um bolinho de bacalhau encharcado que comi no meu primeiro dia em Lisboa me fez passar uma noite inteira no banheiro (e eu dividindo o quarto com duas novas colegas de trabalho – que situação…), e o que eu achei que tinha vindo pra arruinar com minha primeira visita a um país europeu, resultou nisso aqui. Olha o antes e depois:

Portugal Emagrecer Lisboa

Fala sério, melhorei bastante, né?

Sendo assim, não discuta com as situações que se apresentam na sua vida. Lembre dessa minha experiência e se acalme: afinal, você nunca sabe o que elas podem te trazer lá na frente…

2010 – Em Cape Town (África do Sul) aprendi que:

Cape Town Africa do Sul Por do sol

‘Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe’. E experimentei novamente, de uma forma bem marcante, o poder transformador de uma viagem.

Uma viagem no momento certo da vida pode curar e transformar numa velocidade que dificilmente aconteceria se você continuasse na mesma rotina, no mesmo lugar, cercada das mesmas pessoas.

Visitei Cape Town no momento mais difícil da minha vida até hoje, e as quatro semanas que passei lá transformaram não apenas o meu presente na época, mas também o meu futuro. Conheci pessoas que me marcaram, conheci lugares que me impressionaram, vivi experiências que ficarão pra sempre na minha memória. Me senti viva e cheia de energia, e esqueci absolutamente de todo o resto!

Sei que há quem diga que botar uma malinha nas costas e optar por viajar num momento em que você não está conseguindo lidar com sua realidade é, nada mais, nada menos, que uma fuga. Pra falar a verdade, acredito mesmo que seja, mas que mal há?

A mim só fez bem… Me fez perceber coisas que antes eu não percebia, me permitiu o tempo que eu precisava pra sair do redemoinho que estava a minha vida, pra ver as coisas de outra perspectiva.

Decisões essenciais surgiram dessa viagem. Só tenho a agradecer!

2013 – Nas Ilhas Fiji aprendi que:

Fiji Mamanuca Islands Crise dos 30

A verdadeira felicidade realmente não está nas coisas materiais.

Clichê, eu sei, mas pensa num lugar absolutamente maravilhoso, luxuoso, cercado pelos resorts mais exclusivos que já tive a oportunidade de me hospedar (de graça, né? A convite deles, porque se eu tivesse que pagar…), habitado pelas pessoas mais fantásticas desse planeta, pessoas essas que… não tem nada! Que vivem na linha da pobreza (algumas mesmo na miséria) e que convivem com a desigualdade social bem debaixo do seu nariz, todos os dias. Que trabalham servindo turistas com um poder aquisitivo que elas jamais sonharão ter, e que saúdam a todos eles, a cada minuto, com um “Bula, bula!” seguido de um belo e contagiante sorriso.

Em Fiji as pessoas não tem nada. E são felizes. Genuinamente felizes. Cantam e dançam o tempo inteiro. Não posso acreditar no contrário simplesmente porque não acho que seja possível fingir tanta alegria. Se for possível fingir, duvido que seria possível contagiar da forma que contagiam.

Um dos lugares mais marcantes que visitei, claro que também pelas paisagens exuberantes, mas muito mais pelas pessoas. Tô voltando pra lá daqui 3 meses, mal posso esperar!

 

2015 – Em Bali (Indonésia) aprendi que:

Bali Indonésia Templos

Embora sejamos muito diferentes, no final das contas, somos todos iguais. E que muito do que somos, das nossas escolhas que tanto achamos ‘originais’ e frutos indiscutíveis do nosso livre arbítrio, nada mais são do que o resultado previsível do lugar onde nascemos e da cultura sob a qual fomos criados.

Muito confuso?

Em Bali refleti muito sobre religião. Questionei minhas crenças, refleti sobre o fato do Cristianismo ser visto por nós, ocidentais, como a verdade absoluta do mundo.

Na Indonésia pude experienciar que o Cristianismo é a realidade do Ocidente, ponto. No Oriente tudo é diferente, e a fé que tive a oportunidade única de observar em Bali mexeu muito comigo.

Se eu tivesse nascido lá, provalvemente seria Hindu e faria minhas oferendas múltiplas vezes ao dia com a mesma dedicação com a qual eles fazem. Ou talvez fosse Budista. Se tivesse nascido em outra parte da Indonésia, chances são que eu seria Muçulmana e não acreditaria nem por um segundo na salvação em Jesus. Salvação essa que, lá da onde eu venho, é vista e difundida como única forma de ‘se entrar no reino dos céus”. Putz, se for assim, seria a maior de todas as injustiças!!!

Voltei de Bali com a cabeça mais aberta do que nunca (e mais confusa também). Não é possível que exista apenas uma verdade… Não, não é possível…

2015 – De volta ao meu Brasil por 3 meses aprendi que:

Brasil Família Crise dos 30

Não importa o quão longe eu possa voar, no final das contas, sempre vou amar (e ansiar!) voltar pra casa!

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.