Eu, Caroline S., 31 anos, cansada e desiludida (e sem saber o que fazer da vida)

Crise dos 30 Carreira O que fazer da vida

Nem adianta falar que não lembra… Tudo bem que o livro (na versão em português) e o filme são do início dos anos 80, mas se você era uma criança meio precoce – como eu – certamente se lembra do “Eu, Christiane F., drogada e prostituída” e entendeu meu trocadilho… Se não entendeu, tudo bem, vamos pular essa parte…

A real é que resolvi escrever esse post rapidinho, só pra te lembrar que, como diria a Jout Jout:

TÁ TODO MUNDO MAL!!!

Se você não sabe do que eu tô falando (e até mesmo se você sabe), te sugiro que PARE TUDO AGORA e aperte o play nesse video aqui embaixo.

Plim plim: Se você não conhece a Jout Jout, eu sinceramente não sei em que mundo você vive… Até no Jô e na Marília Gabriela ela já foi, então você deve morar mesmo embaixo de uma pedra. Ou talvez você a conheça mas nunca tenha assistido esse video. Ou, quem sabe, você a conheça e até já tenha assistido esse video. Não importa. Te peço apenas pra apertar o play – sem esquecer de depois voltar aqui e seguir lendo, claro…

 

(Se não tiver aparecendo o vídeo, só clicar aqui)

Não é a primeira vez que sugiro esse video aqui no Crise dos 30, e provavelmente não vai ser a última… As vezes acontecem algumas coisas no meu dia-a-dia que me fazem imediatamente lembrar dele. Foi o que aconteceu ontem…

Crise dos 30 Amigos Bar“Sexta-feira, 4 horas da tarde. Uma chuva linda e barulhenta lá fora, fazendo proliferar um trânsito digno da cidade grande que Auckland não é. Eu, sentada em uma mesa de bar. Cerveja de trigo (quente) na mão. Ao meu lado, duas pessoas das mais improváveis: um cara de 50 anos e uma moça de 25.

Temos muito pouco em comum. Não somos grandes amigos, não frequentamos a casa um do outro. Nos vemos com frequência, mas nem do mesmo país nós não somos.

Três pessoas completamente diferentes. De faixas etárias diferentes. De orientações sexuais diferentes. De backgrounds COMPLETAMENTE diferentes. Mas com uma coisa em comum:

ALI, SENTADOS NAQUELA MESA, NINGUÉM SABIA O QUE FAZER DA VIDA.

Três pessoas com carreiras no mínimo interessantes (no sentido de que nossos caminhos foram menos lineares do que o de muitas pessoas que conheço), com experiências profissionais que vão desde quadra de esportes a aeroporto, de sala de aula a escritório em Paris. Ainda assim, mesmo depois de terem se permitido experimentar tantos caminhos diferentes, ainda não têm muita ideia do que querem fazer da vida.”

Vou te ser bem sincera: da mocinha de 25 eu até esperava ouvir isso, mas do cara de 50?!?!

Sabe que, pra mim, ao mesmo tempo que a conversa toda teve um tom bem mais pro lado do ‘desabafo e puro descontentamento’ dignos de uma boa mesa de bar, do que pro do ‘discutir opções e criar uma nova realidade’, foi um certo alívio. Meio que um tapinha nas costas seguido de um “Tá vendo? Você não é a única…”

Eu tenho uma carreira de mais de 10 anos no Turismo. Já fiz de tudo um pouco, trabalhei em cia aérea, agência de viagem, operadora, receptivo. E agora, desde fevereiro desse ano, tô dando aula. Quando olho pras escolhas que fiz, tenho plena consciência (e me orgulho do fato!) de que ainda estou optando por sair da tal zona de conforto, me abrindo pro novo, tentando coisas novas.Crise dos 30 - O que tem de errado comigo

Mas a verdade é que eu ainda não sei o que quero fazer da vida!!!

 

E eu queria saber o que eu quero fazer da vida.

 

Putz, só Deus sabe como eu queria…

 

As vezes é desgastante. Tem hora que só o que eu queria era acordar todo dia, ir trabalhar, colocar meu dinheirinho no bolso e viver bem, sem grandes crises, sem grandes questionamentos, até mesmo sem grandes planos (pelo menos por alguns anos). Sabe aquela vida estável e tranquila, de gente ‘adulta’ e ‘responsável’, que pode até demorar um pouco pra se ajeitar num canto, mas depois que se ajeita, fica ali um tempão? Então, tem noites que até sonho com isso…

Mas o bom de entrar na casa dos 30 é que a gente passa a se conhecer melhor, começa a finalmente entender um pouquinho mais das nossas preferências – e também da nossa essência.

Até bem pouco tempo atrás, eu sofria enlouquecidamente porque não aceitava esse meu lado “cigana”. Eu queria me encaixar. Eu queria o emprego de anos a fio no mesmo lugar, a carreira estável, a rotina e as férias, igual todo mundo. Mas a medida que avanço na caminhada dos 3.0 vou, continua e lentamente, aprendendo a aceitar (por mais difícil que seja) que essa não sou eu. ESSA NÃO SOU EU, %#*$%^*! E eu vou ter que arranjar um jeito de conviver comigo (afinal de contas, não tenho opção, né?), e com a dor e a delícia que isso tudo me traz.

Crise dos 30 - Comemorar

Essa semana, conversando com um amigo num churrasco aqui em casa, ele me disse que ser pisciano é f… “Eu acordo músico e vou dormir bombeiro, cara. Não é fácil, não…” (Eu, obviamente, também sou pisciana…)

E em meio a todas as risadas que a conversa gerou, eu me peguei pensando que talvez seja esse o meu grande desafio na vida: aprender a acordar questionando e a dormir sonhando – mesmo que minha sina seja mesmo sonhar um sonho diferente a cada noite…

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista residente em Auckland, gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito (contanto que a morte não seja o assunto da rodinha) e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.