Falar inglês é mesmo essencial?

Crise dos 30 aprender inglês falar inglês

Uns meses atrás eu tava indo pro trabalho e vi um casal de mochileiros na avenida, caminhando com suas imensas mochilas nas costas e um ‘pacotinho’ na frente: um bebê, que o homem carregava. Na mesma hora falei pro Henrique:

“Olha aí, tem gente provando que é possível rodar o mundo com um bebê a tira colo…”

Não que se eu tivesse um filho eu faria a mesma coisa (provavelmente não) mas adoro ver exemplos de pessoas que desafiam essas ‘convenções sociais’ e fazem o que têm vontade.

Eu não tô rodando o mundo com um bebê na mochila, é verdade, mas fato é que hoje eu me sinto muito mais livre do que jamais me senti na vida. E olha que vivo encarceirada na prisão do salário fixo caindo na conta todo mês, com aquele medo esmagador de que vá faltar alguma coisa se eu não tiver a graninha garantida que me oferecem em troca do meu precioso tempo: 37,5h semanais que, ultimamente, tem sido cada vez menos prazeirosas.

Mas por que ainda assim me sinto livre? Por que eu tenho a nítida sensação de que as portas do mundo estão abertas pra mim?

Por um simples motivo: eu falo inglês.

 

A hora que eu resolver dar uma chacoalhada na vida de novo, eu posso basicamente me aventurar em qualquer canto do mundo. E não tô falando de ter dinheiro pra viajar, tô falando sobre a questão da empregabilidade mesmo.

Inglês te ajuda a viajar pra praticamente qualquer lugar do globo? Sim, claro que ajuda! Mas mais do que isso, é essencial se você quiser trabalhar num navio, por exemplo, ou se quiser se candidatar pra uma das tantas vagas que estão abrindo por aí em empresas modernex que contratam funcionários pra fazer home office, ou seja, trabalhar de casa. No Brasil, estamos certamente mais atrasados nesse aspecto do que em muitos outros países, então como é que você vai fazer pra se candidatar pra aquela vaga perfeita se a empresa fica nos Estados Unidos ou na Noruega – e você não fala inglês?

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Como foi que eu prendi a falar inglês?

Eu comecei a aprender inglês quando tinha uns 13 ou 14 anos mais ou menos. Eu tinha acabado de me tornar a mais nova fã número 1 dos Backstreet Boys, juntado uma baita grana pra comprar o CD original (na época custava mais de R$30,00, dinheiro pra caramba!) simplesmente porque eu queria o encarte com as letras das músicas: eu queria saber o que eles estavam falando! E em era pré-Google, onde ter internet em casa era luxo, eu me empenhei mesmo foi com um dicionário inglês-português na mão e traduzi cada uma delas, timtim por timtim.

Crise dos 30 Fita Cassete Aprender inglêsPS: Sim, essa era a mesma época em que eu ficava na frente do aparelho de som de casa com uma fita cassete virgem, pressionava REC + PLAY + PAUSE e ficava ali, sentada por horas, esperando minha música favorita tocar pra eu poder gravar, sem faltar nenhum pedaço da introdução, porque se isso acontecesse, eu teria que repetir todo o processo de novo, já que aquela gravação estaria arruinada! (Fala sério, eu sei que você fazia a mesma coisa…)

Daí pra me matricular numa escola de inglês foi uns dois anos, porque era muito caro. Lembro até hoje da minha pesquisa minuciosa nas Páginas Amarelas e, depois, com papel e caneta na mão, liguei pra dezenas de escolas pra pesquisar valores, até achar um que coubesse no bolso dos meus pais.

Estudei em escolas de inglês por uns dois anos mais ou menos, talvez um pouco mais. Ainda assim, quando fui pros Estados Unidos pela primeira vez (num intercâmbio de trabalho na Disney) percebi o quanto meu inglês era fraco. Eu me comunicava, mas tinha tanta dificuldade… Falar no telefone ou no radio era praticamente impossível, e isso acabava com a minha confiança. Ainda assim, aquele foi o ponta pé inicial importante de uma jornada que ainda não acabou e, sinceramente, acho que nunca vai acabar, ainda que eu já more num país de língua inglesa há quase 6 anos…

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Nossa geração passou a adolescência inteira ouvindo que saber falar inglês seria fator determinante para alavancarmos nossas carreiras e, com isso, foram anos de nossas manhãs de sábado dedicadas aos cursinhos de inglês da Wizard, CCAA e afins. Lembra da Yázigi? Nem sei se existe mais… (Fiquei curiosa e fui procurar, e ainda exite sim!!)

Mas quem é que pode hoje em dia realmente dizer que fala inglês?

Alguma vez você colocou no seu curriculum que tem inglês fluente pra, depois, ficar se borrando de medo de no meio da entrevista ouvir um “So, tell me about your previous experience…”? Ou preferiu se conter e arriscar dizer que tem, no máximo, um intermediário, mesmo sabendo que seu embromation vai apenas um pouquinho além do básico?

Não tenho dedos suficientes nas mãos pra contar a quantidade de pessoas que me dizem que ‘não querem aprender inglês’. Gente nova (sim, nós trintões ainda somos gente nova!!!), com a vida inteira pela frente e uma capacidade incrível de aprender qualquer coisa que se dispuserem a estudar.

Não estou nem por um momento dizendo que aprender outra língua é fácil, porque eu bem sei que não é.  Eu me descabelo até hoje e, por vezes, ainda rio de piadas que não entendo, mas posso garantir que é extremamente recompensador.

Acontece que falar inglês não é necessidade, é liberdade! E liberdade sim, é essencial.

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.