Dois anos depois… E a vida? Como tá?

Sinto raiva.

Sinto raiva porque estou há mais de uma semana tentando escrever um texto interessante que conte o que aconteceu na minha vida nesses últimos dois anos desde que coloquei o Crise dos 30 no ar, e não consigo.

Já escrevi dois textos diferentes, e odiei os dois. Mexi e remexi nas ideias, nos parágrafos, na pontuação, e nada! Nada funciona.

Fico frustrada porque sei que a culpa é minha. Me afastei tanto da escrita nesse último ano que perdi a pegada, não flui mais como fluia antes. Leio e releio e não consigo me perceber em nenhuma daquelas linhas que tão cuidadosamente escrevi. Não sou eu. Não tem alma, não tem fluência, não tem nada de mim.

Queria muito escrever um texto bacana porque amanhã é dia 01 de maio de 2017, dia em que fará dois anos exatos desde que pedi demissão do meu trabalho como Gerente Geral daquela Operadora de Turismo Receptivo em Auckland e, num impulso, criei uma página no Facebook chamada Crise dos Trinta e escrevi meu primeiro post. Aquele foi o primeiro passo de um caminho que comecei a traçar e que hoje vejo que foi sem volta. Sem volta no bom sentido, porque realmente nunca tive intenção nenhuma de voltar pra onde eu estava naquela época (seja emocional, fisica ou psicologicamente).

Ainda assim, de alguma forma, eu consegui fazer o caminho de volta. Eu consegui me encontrar hoje num lugar bem parecido àquele em que estava dois anos atrás.

Não foi por falta de opção. Eu conscientemente escolhi voltar pro mercado de trabalho tradicional, mesmo sabendo que não tinha mais absolutamente nada a ver comigo ou com o estilo de vida que eu queria construir pra mim. Eu escolhi voltar pra vida que eu tinha na Nova Zelândia pois tinha um objetivo muito claro, e não me arrependo nem por um minuto de ter feito tudo o que eu fiz. Eu precisava ficar no país até 2017 e, pra me sustentar numa cidade com um custo de vida tão alto como o de Auckland, eu precisava fazer dinheiro – e rápido! Desculpa perfeita pra me enfiar de novo naquela mesma vida da qual eu tinha passado meses e mais meses tentado me desvencilhar… Lembro exatamente do sentimento de alívio que foi quando vi meu primeiro salário cair na conta novamente. Tinha voltado pra gaiola por livre e espontânea vontade, tinha acabado de receber meu queijinho, e a verdade é: eu estava feliz pra caralho!

Fiz tudo isso por livre e espontânea vontade. Já que era muito bundona pra entrar de cabeça num estilo de vida diferente, onde eu pudesse ir em busca dos meus sonhos sem ter necessariamente um salário mensal garantido, fui atrás de algo que me trouxesse algum benefício extra que não apenas o queijinho na gaiola do ratinho. Me tornei professora de Turismo (algo que sempre considerei, desde os tempos da faculdade) com um objetivo claro: perder o medo de falar inglês.

Eu me joguei de cabeça no que era até então um dos meus maiores medos: falar inglês em público, pra uma platéia de nativos.

O começo foi desesperador, mas consegui meu objetivo: meu inglês melhorou 1597%. Pela primeira vez me senti realmente vivendo fora do meu país, pois agora sim era necessário me comunicar 100% do meu tempo em uma língua que não era a minha (a não ser quando estava em casa com meu gaúcho, claro!).

Acontece que 15 meses já se passaram desde que eu voltei. Quando observo minha situação de cima e enxergo a ‘big picture’, como dizem aqui, sei que está tudo certo: adquiri novas habilidades e uma vivência que serão essenciais pros meus projetos futuros, e estou mais preparada pra cair de cabeça na criação daquele estilo de vida que tanto falo que quero criar desde sabe-se lá quando. Por outro lado, as minuciosidades no dia-a-dia estão, mais uma vez, acabando comigo. Acordar de segunda à sexta é um tormento, saio de casa triste de dar dó e só quero que o dia acabe rápido pra poder voltar. Não vejo a hora do tempo passar: vivo pra esperar o final de semana, o feriado, e me percebi mais ansiosa que o normal pelo futuro, porque o presente tá foda demais de aguentar.

Lá volta o cão arrependido…

***

Hoje criei um quadro. Um quadro de vizualizações. Um tempo atrás eu teria uma lista de coisas que eu gostaria de conquistar pra ser verdadeiramente feliz. Hoje, resumi tudo em uma frase apenas:

O objetivo que tinha para 2017 já foi conquistado, no more excuses.

Bora recomeçar.

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista que antes residia em Auckland (agora em período de transição), gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito, e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.