6 Anos de Vida na Nova Zelândia: o que está errado

Essa semana fez 6 anos desde que vim morar aqui. Seis anos de vida na Nova Zelândia! Caraca, nem dá pra acreditar… Às vezes parece que faz mais, às vezes parece que foi ontem…

Fiquei meio nostálgica e comecei, lá na página do Crise dos 30 no Facebook, uma série de postagens para relembrar todo esse tempo que tenho vivido aqui: uma foto por dia, por seis semanas, em homenagem aos seis anos. Acho que nem preciso dizer que é um lugar mais fascinante que o outro, né? Já publiquei algumas fotos de 2011 mas o melhor, com certeza, ainda está por vir, já que foi somente a partir de 2012 que comecei realmente a viajar mais pelo país; aí foi uma surpresa atrás da outra, uma paisagem mais estonteante que a outra, várias histórias pra contar e relembrar.

Tem sido interessante buscar essas fotos antigas no computador, selecionar as que quero postar, as que tenho algo pra comentar. Tem me trazido uma nostalgia boa, uma sensação de “Caramba! Nem dá pra acreditar que já vivi tudo isso!”.

Por outro lado, tem me feito ficar com uma expressão em inglês o tempo todo na minha cabeça: “We take it for granted!”

Essa é uma expressão que nós não temos em português, e é meio confuso explicar exatamente o que significa. A tradução literal seria “nós damos isso por certo”, o que quer dizer que a gente se acostuma com as coisas como se elas fossem estar pra sempre ali, do mesmo jeito, e acaba não dando o devido valor.

Uma simples paisagem num dia de sol em pleno inverno

Lembro da primeira vez que visitei Rotorua. Estava com uma amiga do Brasil que passou uns meses por aqui estudando inglês e, durante um dos tours que fizemos, conhecemos duas mulheres australianas, já mais senhoras, viajando juntas. Falei pra elas que tinha voltado há poucos meses da Austrália, que tinha ido à Sydney, Melbourne e Cairns, e que um dos pontos altos da viagem tinha definitivamente sido o snorkling na Grande Barreira de Corais. As duas disseram que nunca tinham ido. Sempre tiveram vontade, mas outros destinos acabavam sendo mais atrativos, mais baratos, mais convidativos. No final das contas, a Grande Barreira de Corais é quintal de casa pra elas, sempre haverá tempo.

Até que não há mais.

 

Batemos um papo interessante dizendo o quanto nós também nos comportávamos dessa forma com relação ao nosso próprio país. Lá estávamos nós, duas amigas, do outro lado do mundo, e eu posso falar por mim: viajei muito pouco dentro do Brasil, pelas mesmas razões das australianas.

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A melhor vista (Devonport, Aukland)

Quase quarto anos se passaram desde então, e eu tô aqui, adaptada e acostumada a viver no que é, sem sombra de dúvidas, um dos países mais lindos do mundo, com o verão que mais amo! Ainda assim, às vezes me pego tão chateada pela vida não estar do jeito que eu gostaria e pela rotina não ser nada parecida com o que eu preferiria que ela fosse, que acabo esquecendo das tantas belezas que estão ao meu redor. Passo facilmente um final de semana inteiro dentro de casa, saindo apenas pra ir no mercado ou naquele mesmo café ou restaurante de sempre, e esqueço que a 15 minutos de casa tem um parque com um jardim de inverno lindo, um museu com entrada gratuita para residentes (o qual não visito há mais de um ano), praias de areias negras a uma hora de distância nas quais não piso desde 2013, vulcões a uma travessia de balsa que nunca tive a determinação de conhecer. Curiosidade, sim, mas fui deixando pra depois. Tão perto, tão fácil…

Até a hora que não está mais. 

 

Um passeio descompromissado numa noite de inverno

Essa simples ideia de postar uma foto da minha vida na Nova Zelândia por dia, me fez pensar em quantas vezes a gente se esquece de aproveitar aquilo que está ali, bem do nosso lado, enquanto sofre por querer aquilo que está longe e ainda não se tem.

Hoje eu choro por estar longe dos que mais amo, por ainda não ter o estilo de vida que desejo, por viajar menos do que gostaria, por morar numa cidade que nunca senti que fosse verdadeiramente minha casa. Emprego? Não vamos nem desviar a conversa pra esse lado, porque senão não acaba hoje… Mas sei que um dia vou sentir falta de tudo o que tenho aqui. No final das contas, o que fica são só as lembranças, e a gente tende mesmo a romantizar o passado, sentimentalizar tudo o que viveu.

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Pela capacidade de viver o momento presente. Sem pressa.

Mesmo que ainda esteja longe de ser o ideal, sempre existe algo belo ao qual não estamos dando o devido valor. Let’s not take it for granted.

São as pequenas coisas. Sem dúvida, são as pequenas coisas. Que a gente consiga enxergar, agradecer e aproveitar. A começar por mim.

Love,

Carol

Carol Sales

Paulista residente em Auckland, gosta de sol e mar, de chuva e aconchego, de frio e cobertor. Hoje. Talvez amanhã não goste mais.
Acredita que nada acontece por acaso e que a vida dá seu jeito (contanto que a morte não seja o assunto da rodinha) e vive numa eterna batalha entre ir pra academia, ler, escrever ou ficar de bobeira pesquisando sonhos na internet - sonhos esses que 99.9% das vezes tem a ver com definir o próximo destino.